A monumental bagunça que se gerou nesta história da colocação dos professores não tem desculpa, seja quem for o culpado, ou os culpados. Para a alcateia, é fácil: o culpado é o ministro, ou o primeiro-ministro, segundo o tempo e o lugar. É prático, barato e tem boa imprensa, olá se tem.
Para quem quiser olhar um bocadinho mais fundo, é capaz de não ser bem assim. Mas, que importa, se não for isso o que está a dar?
Uma reportagem qualquer, no ar esta tarde, revelou alguns pormenores interessantes – certamente passados, por engano, nas malhas da “edição” – quanto ao “sistema” em vigor. Um director qualquer de uma escola qualquer, desdramatizava a questão. No seu caso, dizia ele, precisava de 29 professores e já tinham sido todos nomeados. O problema era que só 5 tinham aceitado os horários. E que a maior parte ainda não tinha aceitado as turmas. E não tinha aceitado mais isto e mais aquilo.
Ou seja, quando a bagunça das colocações estiver resolvida ainda muito faltará fazer: será preciso que cada professor “aceite” o trabalho que lhe for dado, manifeste o seu acordo com cada pormenor, mais meia hora menos meia hora, mais aluno menos aluno, mais isto menos aquilo, com certeza em justa defesa da “dignidade” e dos “direitos” da classe e de cada um.
Pode o xarroco/bigodes-à-Sadam do PC estar descansado: matéria para mais trauliteirada é coisa que não vai faltar. O comité central e o Arménio estão atentos e darão as suas ordens.
10.10.14
António Borges de Carvalho

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