IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


GRANDE HISTORIADOR

 

O auto proclamado historiador Tavares, muito conhecido e admirado por ter posto os cornos ao Louçã – guardando o lugarzinho no Parlamento Europeu que o homem lhe tinha oferecido – e hoje lider de uma sua criatura auto denominada Livre, resolveu fazer honras ao título que proclama e tanto preza, através de considerações várias sobre a dicotomia esquerda/direita. De um ponto de vista “histórico”, como é de ver.

Dando largas ao seu por ventura acendrado jacobinismo – coisa mais ou menos em desuso na extrema esquerda – o homem defende a sua dama, isto é, a absoluta necessidade de fundar a política na oposição sem tréguas entre esquerda e direita. E fá-lo através de um interminável série de loas aos benefícios da Revolução Francesa, coisa que, na sua esclarecida opinião, está na origem de todos e mais alguns dos direitos do homem. Os “bons”, os que defendem tais direitos, são a esquerda. Os “maus”, são os demais, mesmo que os defendam também.

O fulano esquece-se – obviamente de propósito – que a Magna Carta Libertatum  entrou em vigor no século XIII (1215) e que a Câmara dos Comuns entrou em funcionamento pouco depois, funciona desde esses recuados tempos, e adquiriu a quase forma actual por volta de 1700. Esquece que cem anos antes da sacrossanta revolução francesa, já os britânicos tinham publicado a Bill of Rights, que ainda hoje, como a Magna Carta, faz parte das Leis Constitucionais do RU.

E, no deserto dos seus esquecimentos, ou da sua propositada ignorância, o “historiador” inventa que a palavra “comuns” foi criada pela tal revolução, embora já existisse há séculos do outro lado da Mancha.

Depois, ou antes, defende a “tese” que explica que a dicotomia esquerda/direita foi mais uma das brilhantes criações da magnífica Révolution. Sem se lembrar que os commons já se sentavam há séculos à esquerda e à direita do speaker, consoante as sua inclinações. Aliás, como toda a gente sabe, o Parlamento Britânico ainda hoje se arruma em duas bancadas, uma do lado esquerdo outra do direito, e não em hemiciclo como nos dos filhos do francesismo.

 

É difícil aturar pessoas tão evidentemente vesgas como este “historiador”. Mas ele lá tem a sua tribunazinha no “Público”, para ir contribuindo para a “cultura” do povo.

Paciência.

 

4.9.14

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “GRANDE HISTORIADOR”

  1. Termina a sua crónica com “Paciência”.Ora, paciência já não tenho para aturar as aldrabices deste governo, sobretudo dos Ministérios das Finanças, Educação e Saúde. Faço votos para que aos “guardiões” destes malfeitores aconteça o mesmo que ocorreu a Armando Vara: pena de prisão-

  2. A propósito da Revolução Francesa. Imagine o Irritado que vivia em França em 1780. Era um camponês, como a maioria dos 25 milhões de franceses. V. pagava pesados impostos, mas a nobreza estava isenta. Pagava ainda 10% do seu rendimento à Igreja, e esta também estava isenta. O país tinha uma dívida galopante, devido às guerras e aos gastos extravagantes do monarca Luís XVI, e do seu antecessor Luís XV. A bancarrota parecia inevitável, apesar da crescente carga fiscal. Além dos impostos, o senhor das suas terras cobrava-lhe por quase tudo: pela área que cultivava, pelos animais que criava, pelos cereais que moía, pelo seu casamento ou morte de um familiar. A Justiça era corrupta a inexistente, um privilégio de ricos. Quanto a saúde ou educação, adivinhe. V. ganhava cerca de 30 soldos por dia; um pão custava cerca de 10. Com uma boa colheita, vivia sofrivelmente; com uma má passava fome. Trabalhava todo o dia, todos os dias, todo o ano. Se se revoltasse ou atrasasse nos pagamentos, esperavam-no a prisão, açoitamentos, tortura e morte. E depois havia o Rei e a nobreza. Tinham todos os direitos e nenhuns deveres, palácios faustosos, jardins a perder de vista, servos para lhes satisfazer os mais infímos caprichos, todo o luxo da Europa e do mundo, desde o nascimento até à morte. Pois bem, e desculpe o longo post: – isto parecia-lhe justo e bom? – se pudesse mudar isto, não mudaria? – qualquer alternativa não lhe parecia melhor? – se nada tivesse mudado, e hoje vivesse assim, o que achava da sua Monarquia? Antecipadamente grato,

    1. Respondendo (perguntando) à questão “se pudesse mudar isto, não mudaria?”, não é o que o Irritado tem tentado fazer? Não é isto (“mudar”) o que Pedro Passos Coelho (o candidato mais africano) está a fazer?

    2. O assunto do pot era a falsa primazia da revolução francesa na história do estado moderno. Quanto ao seu outro assunto, o que se vivia em França, por mau que fosse, não se compara com o que a tal revolução causou.

      1. Se tem primazia não sei; mas como seria o estado moderno sem a Rev. Francesa? E a americana? Esquecendo as lérias esquerda/direita, ambas foram importantes para direitos que hoje temos como garantidos – para começar, a IGUALDADE perante o Estado e a Lei. Claro que persistem privilégios e injustiças, mas evoluímos imenso. Felizmente para si pode falar tranquilamente da sua poltrona, ao contrário dos milhões de infelizes que viveram assim. Vista daí, a Monarquia deve parecer gira e fresca. Não imagina, nem quer imaginar, o que é ter como única perspectiva uma vida de semi-escravo, tal como os seus filhos e netos, enquanto uns chulões vivem em permanente e obscena ostentação.

        1. Nada na vida é preto, ou branco. Muita coisa há pelo meio. V. tem a razão de todos os males colocada numa espécie de mausoléu, ou seja, “identificou” os maus e os bons, sem contexto, sem circunstância, só o preto, só o branco. Na minha opinião, o seu branco é do mais negro que se possa imagimar.Ao contrário do que julga, o meu post não se destinava a defender o “ancien régime”, mas a denunciar as consequências do “nouveau”. Das grandes golpadas, como a de 1789, saem sempre consequências que ultrapassam os males que diziam querer substituir. Por isso admiro os britânicos, que, modernamente, têm sabido avançar sem atravessar o “terror” francês, a comuna, o napoleonismo, as matanças, o século que a França levou até se reencontrar.

          1. Podemos pintar o “contexto” como quiser, mas a maioria das pessoas vivia miseravelmente enquanto monarcas e lordes viviam na opulência. Os outros nasciam para trabalhar e sofrer, eles jamais trabalharam um dia das suas vidas. Foi esse o combustível da revolução. Admito que eu lhe soe maniqueísta, mas não consigo tolerar tamanha injustiça. Tal como não tolero os mamões de hoje, por comparação bem mais suaves. E acredito que V. também vê a injustiça disto. Não é inconsciente, nem amoral. Está apenas preso a uma escala de valores (para mim) invertida, em que uma “elite” arbitrária tem uma espécie de direito divino sobre todos os demais. Todos os seus posts sobre o tema defendem mais ou menos implicitamente esse direito. Mais que não seja, por jamais criticá-lo.

          2. Não há volta a dar. V. acha que a democracia moderna começou com a rev. francesa. Eu acho que foi com a Mgna Carta e o Bill of Rights.Uns beberam de um lado, outros do outro. Quem bebeu melhor, seria a questão. Vexata questio!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *