IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FRAGILIDADES

Há para aí trinta nos, de tanto ouvir falar tive a fragilidade de ir ao “Frágil”. Uma experiência boa para esquecer. Mas não esqueci. Uma porta sebenta, um interior sebento e de gosto quiçá “progressista”, uma malta mais ou menos perdida em fragilidades diversas, uma fulana rotunda e grossa à porta, a deixar passar os que mereciam tal distinção. Não sei porquê, mereci-a. Ao som da adequada música (?), movimentavam-se uns seres mais ou menos diáfanos, outros com uma alegria de pedrada, porventura a esquecer deficiências de vária ordem.

Não era sítio para gente normal, gente como nós, a que os “locais” chamariam terríveis nomes, reaccionários, burgueses (como se outra coisa eles fossem) e outros mimos. Hoje, chamar-nos-iam neoliberais, homofóbicos ou outros adjectivos, todos eles significando terríveis pecados contra a moral a que os tempos chamam correcta.

Não arranjaste outro sítio para me levar? Perguntou a minha mulher, ansiosa por se ver livre daquilo. Deixa lá, bebemos um copo, vemos um bocado deste folclore e depois vamos a outro lado qualquer, impus.

Pedimos um whisky. Veio uma coisa que nem de Sacavém merecia o nome. Até o gelo devia ser falsificado ou “temperado”.

Pusemos os copos em cima do balcão e demos às de Vila Diogo, não sem apresentar as nossas despedidas à gorda da porta, que nos olhou com o mais profundo desprezo.

 

Mudaram os tempos. O “Frágil” deve ter fechado, eventualmente por já não ser suficientemente “progressista”.

Até que, simbolicamente, se tornou sede de mais um subproduto da esquerda folclórica: uma coisa chamada “Livre”, ao que parece destinada a manter no Parlamento Europeu um tipo que pôs os cornos ao Louçã.  

A história repete-se. Os continuadores da malta do “Frágil”, talvez empenhados em dar à malta mais umas falsificações, deitam a cabecinha de fora. A zurrapa é a mesma. Quem gostar, beba. Não desejo bom proveito, que bom proveito é coisa que o “Livre” não proporcionará seja a quem for.

 

4.5.14

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “FRAGILIDADES”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Fui ao Frágil duas vezes, há uns 15 anos. Da primeira vez bebi uns copos com um fulano que conhecia da tropa. Acredite ou não, era polícia militar e gay assumido. Era também um dos assíduos do Frágil. Explicou-me que ali eu só encontraria, cito, “putas e paneleiros”. Olhando à volta, percebi logo que os segundos estavam em maioria. Da segunda vez não sei bem como lá fui parar, mas sei que entrei já com muitos copos bebidos. A certa altura, e creio que não foi alucinação alcoólica, vi um tipo a fazer sexo oral a outro tipo. Levantei-me, saí, e fui acabar a noite no “Avião” a comer couratos. Nunca mais entrei no Frágil. Se agora está lá o tal “Livre”, tenho de concordar que é uma sede adequada. Tem até uma certa elegância, uma coerência quase poética. No fundo, é tal como dizia o Costa, 1º Cabo PE, há 15 anos: putas e paneleiros. Os segundos não mudaram. Apenas as primeiras evoluíram – a sua esquina é agora em Bruxelas.

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