IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ENTREGUES À BICHARADA

 

Já três sóis são passados desde o soturno domingo em que a crise aberta na CML pelo senhor Mendes conheceu o funesto final que caracteriza as tragédias.

 

É tempo de dizer alguma coisa sobre o assunto.

O doce remanso, ou o frenesi, das férias, e o natural desencanto das gentes – sobretudo das que são habituais eleitoras do PSD – conduziram, não a uma abstenção naturalmente maior do que o habitual, mas a uma verdadeira hecatombe de indignado desinteresse.

É na abstenção que o senhor Mendes deve, antes de mais, encontrar meios para, olhando o espelho, ajuizar sobre as atitudes que tomou e sobre o mal que fez a todos nós, à cidade, às pessoas, ao seu partido, à democracia, à Nação.

Se fizer tal juízo com um mínimo de isenção, não direi, longe de mim!, que se suicide, mas peço-lhe que, sem mais hesitações, se ponha a mexer. Nem o PSD, nem a oposição ao PSD, nem a oposição do PSD, nem o regime democrático, nem nós, cidadãos comuns, temos seja o que for a ganhar com a presença, no galarim, de um líder como ele. Já agora, que leve, lá para o etéreo assento onde subir, ou descer, essoutra promotora da desgraça e da cizânia, que Paula se chama e saudade não deixa.  

 

DA ALDRABICE

 

Domingo à noite. Nas imediações do Altis, um reduzido ajuntamento reuniu lisboetas do Alandroal e de Freixo de Espada à Cinta, ou equivalente, metidos à vassourada em autocarros, à boa maneira da União Nacional. Foi-lhes metida na mão uma bandeirinha e, a troco de uma passeata até Lisboa, puseram-nos aos gritos (poucos) nas ruas da cidade. Aldrabice.

A RTP, atenta, veneradora e obrigada – a filosofia Santos Silva a produzir efeitos – filmou a coisa de forma a dar a ilusão de que havia muita gente a incensar o grande triunfador Costa. Aldrabice.

O grande triunfador Costa elencou as medidas que vai tomar, limpar ruas, tirar cartazes ilegais, e pouco mais, tudo déjá vu. Toda a gente sabe que a sua verdadeira missão é fazer-nos engolir a Ota. Aldrabice.

O senhor Pinto de Sousa (Sócrates) disse umas coisas que, pela sua originalidade e visão do futuro, fariam inveja ao líder do MPLA, secção do Mbanzacongo. Aldrabice.

O grande triunfador Costa teve menos votos socialistas que eleitores teve o PSD, entendendo-se como eleitores do PSD os que votaram Carmona e Negrão. Grande triunfador. Aldrabice.

Um badameco bem falante despejou o contrário para a televisão, a partir do Altis. Aldrabice.

Ou seja, a maioria relativa dos lisboetas, apesar dos desmandos do senhor Mendes, continua a votar PSD. E chegaria para ganhar a Câmara.

Como é que, no meio disto tudo, o senhor Costa se considera grande vencedor é coisa que nem Aristóteles, nem Santo Agostinho, nem Kant, nem Hegel, nem Marx conseguiriam justificar, por mais voltas que dessem aos seus privilegiados bestuntos e às suas logissíssimas lógicas e dialéticas. Aldrabice.

 

 

DA VITÓRIA DO CARMONA

 

Se há um grande vencedor destas eleições, é ele o Carmona. Acossado, vilipendiado à esquerda e à direita, expulso, sem meios, sem máquina, sem dinheiro, sem propaganda que se visse, com o Fernandes às canelas, com os partidos, em uníssono, a condená-lo, Carmona bate os seus principais adversários (o senhor Mendes e a dona Paula), bate a desonra, a estupidez, a palermice erigida em “princípio” e em “ideia”, a perseguição erigida em filosofia.

Parabéns, Carmona Rodrigues. És um Homem!

 

 

DA DERROTA DO MENDES

 

Negrão, apesar das siglas, portou-se bem. Foi o cordeiro degolado à facada pela estupidez mendisto-teixeiradacruzista. Prestou-se a isso com honra. Não é um derrotado, é um homem que talvez tenha nascido agora para a política – aprendeu muito nestes dias – e que pode vir a ser alguém.

O senhor Mendes declarou que as suas atitudes (leia-se fazer cair a Câmara) eram questões de “princípio” e de “ideias”. Mais disse que se tratava de atitudes “compensadoras”. Talvez. Se se trata se destruir o PSD, não há dúvida, tem razão, foram compensadoras. Se é essa a compensação, então o senhor Mendes é um génio.

Foi ele, com a dona Paula, o derrotado nestas eleições. Nem sequer foi o grande derrotado, porque grandeza é coisa que não conhece, ou qualidade que se lhe não aplica.

 

 

DA LOUCURA DA ROSETA

 

Chapeau. Dona Helena ficou bem classificada. É pena que esteja doida. “Os bairros da Câmara devem ser geridos pelos seus habitantes”, disse. “Nenhuma decisão sobre a cidade será tomada sem consultar os cidadãos”, declarou. Está doida, ou não?

Então para que servem as eleições? A isto não saberá a senhora responder, a não ser que diga que serviram para a pôr num poleirinho. Para ela, importante é a “democracia” participativa (as aspas são minhas). A “democracia” participativa não consiste, ao contrário do que as boas almas podem ser levadas a pensar, em interessar as pessoas na coisa pública e em dar resposta ao que perguntam e requerem. Consiste em meter-se ao barulho, em provocá-lo, em pôr em causa a legitimidade dos eleitos, em fazer com que as pessoas sejam “representadas” por quem mais se mostrar, mais arruaça provocar, mais abaixo-assinados lançar. Os restantes cidadãos – a maioria -, que votaram para ter quem os representasse e tomasse por eles decisões não interessam à senhora. São lixo. São cidadãos que não “participam”.

Se não fosse perigosa, dona Helena era só ridícula.

Como o senhor Alegre, dona Helena nada tem de independente, a não ser no papel. Serviu-se do PSD, serviu-se da AD, serviu-se do PS. Para se tornar conhecida. Depois, quando percebeu que não seria a “escolhida”, vai de rasgar o cartão e ir para a rua à caça de papalvos. Independente uma ova.

Tonta, é o que ela é.

 

DO CONGELAMENTO DO PC

 

Do PC não há nada a dizer. À rasquinha, aguentou os votos. Quem vota PC fá-lo por fé, não por opção. E assim vai continuar.

 

 

DA QUEDA DO ZÉ

 

Esta criatura, caloteiro-mór da cidade, polícia-mór da câmara, príncipe dos bufos, desceu! Lá manteve o assento, mas desceu! Hossana! Alguma coisa havia de correr bem.

 

 

DAS CONSEQUÊNCIAS DA MARIA

 

O pobre do Correia foi-se abaixo. Fez o seu papel, mas foi a vítima indefesa e inocente dos malefícios da dona Maria (José), das galinhices entre ela e a dona Paula, das intrigalhadas em que ela se meteu, das guerras que ela fomentou. Fez o seu papel honradamente, mas…

É pena. Daria um bom vereador.

 

 

AVERDADE QUE FOI DITA

 

Como muito bem disse o grande vencedor Carmona Rodrigues, estas eleições não interessaram à esmagadora maioria dos lisboetas, porque o processo que a elas levou os enjoou e enojou. Se o senhor Mendes fosse capaz de aprender alguma coisa, tinha aqui uma bela lição. Mas fez a cama onde se deitou, e nem isso percebeu.

 

 

OS NÚMEROS

 

Carmona+Negrão – 32,44%

Costa – 29,54%

Carmona há dois anos – 42,5%

Roseta – 10,21%

Carrilho há dois anos – 28%

 

 

A VERDADE DO IRRITADO

 

O Costa teve mais um e meio por cento que o Carrilho há dois anos. Como é que o Costa é o grande vencedor e o Carrilho teve uma humilhante derrota?

Em relação a 2005, ou a aritmética é uma batata ou a Roseta foi buscar 10% dos votos ao PSD, não ao PS.

 

Com Roseta e sem Mendes, o PSD tinha ganho as eleições com, pelo menos, 30%. Sem Roseta, tinha ganho com cerca de 40%

 

Eis como a brutal estupidez de um líder pode falsear a vontade dos cidadãos.

 

Agora, ó alfacinhas, vai ser um fartote, a bicharada à trolha e a malta a ver.

 

António Borges de Carvalho

 


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