IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ORIGINALIDADES

 

Como é sabido, os portugueses, a todos os níveis, descobriram que os tribunais estavam aí para infirmar decisões políticas ou administrativas mais que legítimas, seja através do tenebroso Tribunal Constitucional, seja dos outros. Através dos partidos, no caso do primeiro, ou de qualquer marmanjo, no dos restantes, neste caso via uma coisa que se chama providência cautelar.

A providência cautelar à portuguesa tem várias originalidades. A primeira é que, em geral, os tribunais ficam muito contentes por se achar competentes nas mais extraordinárias e absurdas matérias, a segunda é que as providências cautelares, se julgadas improcedentes, não têm qualquer efeito sobre os que as motivaram, a terceira é a bagunça e a confusão.

Não se percebe como é que, em questões de lana caprina, de mera gestão do dia a dia, qualquer disposição possa ser objecto de decisão judicial.

Não se percebe, por exemplo, que um tipo (o Fernandes da CML) consiga mandar parar, via tribunal, as obras do túnel do Marquês, assim causando milhões e milhões de prejuizo a muita gente e à própria CML, e ande por aí a pavonear-se sem pagar um centavo a ninguém, armado em defensor do povo no cadeirão da câmara.

Vem isto a propósito dos exames dos professores. Toda a gente já percebeu que a distinta classe é contra todo e qualquer exame, toda e qualquer avaliação, todo e qualquer julgamento sobre a sua (in)competência, e se considera acima de toda e qualquer crítica. Vai daí, no caso que anda pelos jornais, o xarroco do comité central e a sua malta meteram providências cautelares por todos os lados, em todos os tribunais que tinham à mão. Daí, a bagunça e a confusão. O tribunal A acha que o bigodes tem razão. O tribunal B diz o contrário. E assim por diante. A jurisprudência em Portugal é letra morta, a começar pelo constitucional e a acabar em Alguidares de Baixo. Vem a Relação (as Relações) e repete-se a brincadeira. Quando o Supremo decidir (quando?) a pessegada terá barbas, e o comité central terá averbado mais uma magnífica vitória.

Viva a Justiça! Viva o Estado de direito!  

 

4.4.14

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “ORIGINALIDADES”

  1. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    Siga o seu conselho acerca de “REESTRUTURAR CABEÇAS”. Reestruture a sua, que está muito doente”

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Venho sugerir ao Irritado uma nova rubrica: O TACHO DA SEMANA. Na impossibilidade de mencionar todos, pois seria uma tarefa hercúlea, pode assim seleccionar semanalmente um tacho em destaque. Eu dou uma ajuda. O tacho desta semana: «MIGUEL FRASQUILHO É O NOVO PRESIDENTE DA AICEP» Quem é o Frasquilho? É um laranjinha escanzelado, de barbicha rala, que se arrasta diariamente pelas TVs a lamber o rabo ao Governo e ao PSD. É também quadro superior do BES (pois claro…), deputedo há 12 anos, e ex-Sec. Estado do Mordomo Burroso. O que é o AICEP? É basicamente uma fábrica de tachos gerida pelo Centrão Podre. Recordar-se-ão certamente do seu ex-presidente Basílio “Pulha” Horta, hoje emérito autarca de Sintra. Não tem de agradecer a sugestão, Irritado. Disponha sempre.

    1. Que tem o Frasquilho a ver com o post?

      1. Avatar de XXI (militante PSD)
        XXI (militante PSD)

        O que tem a ver? Merda!

      2. Eu já respondi ao seu post. Não respondi neste, mas no de 11 Março “Sapateiros a tocar rabecão”, que dizia o mesmo: «Isto acontece porque os tribunais são a ÚNICA forma de (tentar) intervir nas decisões políticas. As petições são inúteis, as manifs são meras passeatas inofensivas, e não há referendos. Os cidadãos não têm qualquer forma de participar no que os afecta, ou de dialogar com o poder. Este não quer. Só se mistura com a ralé quando precisa de botinhos. Logo, qual a alternativa?» ———————————————- Não respondeu. Qual a alternativa, Irritado?

  3. Mera ilusão.Os tribunais não decidem a favor do interesse geral da população nem do bem comum. Antes, de lobbies maçónicos e de facções políticas.A Constituição tem que ser alterada. Retirado o conteúdo lírico que só atrapalha o desenvolvimento ou que é para ser ignorado, por ser quimérico ou ideológico.O novo texto deve contemplar fprmas de intervenção mais directa dos cidadãos e mecanismos de controlo do poder de forma a que deixe de ser um cheque em branco para 4 anos.Vincular os candidatos às promessas e torna-los criminalmente responsáveis por prejuízos derivados de incompetência e incúria. Imparcialidade dos órgãos de justiça e da polícia criminal para acabar com esta selva.Se continuarem a fazer manifs que apenas traduzem a agenda comuna e das oposições, exigindo o supérfluo e esquecendo o essencial, o festim vai continuar e o país não deixará de ser a coutada dos partidos do regime.A impunidade tem que terminar e a actividade política tem que ser conduzida com patriotismo,seriedade,espírito de missão.

    1. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      «A Constituição tem que ser alterada. Deve contemplar formas de intervenção MAIS DIRECTA dos cidadãos e mecanismos de controlo do poder, de forma a que deixe de ser um cheque em branco para 4 anos. Vincular os candidatos às promessas e torná-los CRIMINALMENTE RESPONSÁVEIS por prejuízos derivados de incompetência e incúria. Imparcialidade dos órgãos de justiça e da polícia criminal para acabar com esta selva. A IMPUNIDADE TEM QUE TERMINAR.» Ora nem mais. Mas se ler bem, o Irritado não subscreve nada disto. Crê firmemente na “legitimidade” da canalha eleita, e na nossa submissão às suas decisões – por ruinosas e/ou criminosas que sejam. A sua (dele) lógica é simples: na falta de um reizinho (o maior sonho!), vamos todos vergar-nos aos nossos iluminados políticos… desde que sejam laranjas, claro.

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