IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


É PRECCISO LATA!

 

Justamente indignados com as suas condições de trabalho, os juízes portugueses vieram a público comunicar as suas reivindicações salariais.

A alma do IRRITADO estremece de compaixão pela miserável situação de tão distinta classe.

Além de tudo mais, é a estes ilustres e tão doutos senhores que se deve a invejável situação em que os serviços de Justiça do Estado se encontram há já longos anos. Como é do conhecimento geral, a justiça é rápida, barata, eficaz, justa (não é pleonasmo, é justiça!), tudo funciona às mil maravilhas, os juízes tratam os cidadãos como é merecido num Estado de direito, merecem da população a maior das considerações, são respeitados e amados por toda a gente, trabalham incansável e eficientemente em prol da segurança e da celeridade da justiça, impõem-se à admiração de toda a gente, etc.

 

Não importa – isso é que é injusto! – que andem para aí a fazer sondagens em que os juízes aparecem abaixo de cão: manobras dos inimigos do Estado de direito. Não importa que a tenebrosa troica diga que a Justiça está péssima: toda a gente sabe que se trata de inimigos da Pátria. Não importa que haja milhares e milhares de cidadãos, a maioria deles, a queixar-se da distintérrima classe: até o Hitler ganhou eleições, não foi?

 

Por tudo isto, os nossos bem-amados magistrados sentem-se, e com que verdadeira JUSTIÇA, no direito de jamais verem os seus vencimentos diminuídos, a não ser por emergência, só por um ano e no máximo de 3%. De resto, tais remunerações têm que ser, todos os anos, automáticamente aumentadas por valor superior ou igual (pelo menos!) à inflacção. Acresce, como é de ver, que a tabela salarial deverá começar em 3.000 euros e ir por aí acima até aos 7.500. E, como não podem ter tachos por fora, é evidente que terão que ser compensados pela falta do segundo emprego com mais 1.500 euros por mês. Note-se que isto não é para todos! Nos lugares mais altos ou mais altinhos, em vez dos 1.500, querem receber entre 25 e 40 por cento do ordenado a título de despesas da representação. O que fará, com todo o mérito, subir os ordenados – desta feita tax free – para 10.500 euros lá em cima e para uns 9.000 lá no meio.    

 

O IRRITADO chama a atenção de quem de direito para o alto serviço à Pátria que estas propostas dos magistrados representam, bem como para o profundo sentido de solidariedade social que demonstram.

 

E curva-se, em respeitoso manguito, perante a distintíssima classe.

 

2.3.14

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “É PRECCISO LATA!”

  1. Desde as greves dos estivadores às reinvindicações dos fidalgos da toga,está a mesma mão que embala o berço.Certamente não será constitucional,uma vez que essas benesses com o dinheiro dos contribuintes,fere o príncipio da equidade ou da equinidade,creio eu.Lamentamos,mas o TC chumbaria essa medida sem contemplações.

  2. Tudo verdade, no entanto a questão subsiste: quem é pior? Esta canalha da “Justiça”, ou a canalha da política? Há mais políticos que juízes, logo aí chulam mais; os juízes têm de reivindicar, enquanto os políticos nem precisam – decidem em causa própria; e os juízes levam anos a aplicar leis abstrusas, mas quem as produz são os políticos. Acima de tudo, para nós contribuintes, o prejuízo dos magistrados está confinado à sua própria chulice, e à sua incompetência, nesta justiça-anedota que temos. Já o prejuízo dos políticos abrange praticamente tudo, da justiça à dívida pública, da sua chulice à sua gestão danosa. Certo é que uns e outros, magistrados e políticos, fizeram deste país o que é, e impedem-no de ser melhor. Os banqueiros e outros mamões podem ser os principais beneficiários, mas são os políticos e magistrados que lhes garantem o poder e a impunidade. Os políticos e os magistrados são a espinha desta farsa democrática. São quem a mantém de pé contra todos os abanões da realidade, e da justa indignação de quem ainda pensa e não vai em carneiradas. São a verdadeira “força de bloqueio”; o nosso fado desgraçado; a nossa calamidade permanente; o nosso maior inimigo. E ainda querem mama garantida… tipo cereja em cima do bolo.

  3. A ignorância é de um atrevimento sem limites!Lançar atoardas sem as fundamentar é tão fácil.Por essas e por outras é que o povo é roubado de forma infame por coelhos e afins.

    1. «Lançar atoardas sem as fundamentar é tão fácil.» Não leve a mal, mas já experimentou aplicar isso ao seu próprio comentário? Fala de quê?

  4. Sr. Filipe Bastos, já ouviu ou leu alguma crítica aos atrasos na »justiça» onde tivessem sido analisados os motivos dos atrasos? Falaram até à exaustão de um «erro grosseiro» do Juiz Rui Teixeira. Alguém sabe qual foi o erro cometido? O senhor sabe?Sabe qual é a percentagem do tempo de vida de um processo em que ele está entregue aos magistrados?sabe qual é o poder que os magistrados tem na organização do trabalho? Os seus colaboradores dependem deles hierarquicamente? etc. etc.

    1. As minhas desculpas, Sr. Picaroto: não sabia que a vida dos magistrados era tão dramática. Então é por isso que qualquer processo demora vários ANOS; é por isso que levar qualquer caloteiro a tribunal é entrar num purgatório; é por isso que quaisquer corruptos e até pedófilos são geralmente postos em liberdade; e é por isso que a visão de qualquer cidadão sobre a Justiça é a de um imenso pântano, manietado por pequenos caciques tão negligentes quanto arrogantes. Deve ser também por isso que, além dos salários bem acima da média nacional, das férias especiais, dos subsídios de renda livres de impostos, e das reformas sumptuosas, os nossos estóicos magistrados ainda querem aumentos automáticos, proibição de cortes (quer o país seja remediado, pobre, ou miserável), e ainda mais subsídios! Perdoe a minha ignorância: ando algo distraído com as exigências de clientes, ordenados e impostos para pagar, entre outras insignificâncias de qualquer reles cidadão. Nada que se compare, claro, às ciclópicas exigências dos nossos produtivos magistrados, sob pressão constante para trabalhar mais e mais depressa, e sempre com o salário em risco. Isto sem falar do Tribunal Constitucional, claro… uma autêntica escravatura!

  5. O meu contacto com essas pobres criaturas escravas do dever (os juízes) resume-se a 3 presenças num tribunal,como testemunha de um cavalheiro que foi burlado num negócio imobiliário,e as 3 vezes em vão.Sua alteza reverendíssima nunca compareceu,sendo que numa delas a funcionária esclareceu que a douta criatura chegara ao tribunal às 11H30 e,naturalmente,em lugar do julgamento trataria do estômago.Para estar presente,fiz 140 km.Todos nós,ali presentes deixámos os nossos trabalhos,as nossas profissões e não é possível descrever a alegria e satisfação por podermos constatar o normal funcionamento do sistema de justiça que pagamos com os impostos que nos cobram.

  6. Sr. Filipe Bastos, Sr. Anónimo, eu apenas perguntei e continuo a perguntar quais as análises que fizeram sobre o funcionamento dos tribunais. Confesso que a função de crítica de arte dramática não é o meu forte. ~Também não sou dramaturgo. Porém procuro falar das instituições e do seu funcionamento com conhecimento. Já agora pergunto. Os senhores são iguais a todos os profissionais das profissões que exerceram?

    1. Acredito, Sr. Picaroto, que os juízes não são todos madraços arrogantes, com vidas folgadas, e sedentos por ainda mais privilégios. E os políticos portugueses não são todos chulos, tachistas e/ou trafulhas. E os jogadores de básquete não são todos altos. E os pretos não têm todos carapinha. E os alemães não gostam todos de salsichas. Mas há o que se chama a REGRA, não é? O Sr. Picaroto pretende relevar excepções – possivelmente o seu caso ou o de conhecidos – para refutar a indiscutível regra, fácil e diariamente comprovável pela maioria dos cidadãos, anónimos ou não. Ou não vive neste país? Se não vive, basta reler a espantosa lista de exigências que serve de tema ao post.

  7. De facto, Sr . Filipe Bastos, existe a regra, coisa que em Portugal é pouco perceptível e parece que por cá todos conhecem muito bem ó que se passa sobre as vivências dos outros.Sobre a regra, ou melhor o direito, escreveu Santo Agostinho um parágrafo que vou tentar reproduzir:Não é o acto que expressa o direito, mas a regra de soberania que o orienta. Um soldado tanto poderá incorrer no crime de desobediência e alta traição se se recusar a matar como no crime de homicídio se matar por sua iniciativa.As regras são algo de muito sério e não podem ser estabelecidas de forma superficial.Veja, por exemplo, a utilização do verbo cortar e da palavra cortes O Sr. Dr. Passos Coelho mandava cortar o pescoço aos reformados para resolver os problemas orçamentais. Será que a opinião pública e os juristas (incluindo magistrados) falaria apenas em cortar o pescoço. O médico pode matar ou salvar a vida cortando o pescoço consoante cometa um assassínio ou faça uma traqueotomia.Já agora, Sr . Filipe Bastos, também lhe cortaram a pensão. À minha, roubaram uma parte. O Sr . Irritado talvez tenha tido mais sorte e a sua pensão apenas tenha sido cortada em solidariedade com o país e os accionistas das do PSI 20.

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