O IRRITADO, como sabe quem o lê, não faz parte da corte de admiradores dos socialistas em geral e do Costa em particular. Bem pelo contrário.
Razão pela qual o parágrafo anterior é uma declaração de interesses, mas de pernas para o ar.
Viva o Costa!
Porquê? Porque, finalmente, parece que vai seguir os sensatos conselhos do IRRITADO e começar a tornar os passeios de Lisboa em locais próprios para peões, não para bestas, como é tradicionalmente o caso: uma luta que o IRRITADO vem travando pelo menos há 12 anos. Entretanto, nos passeios de Lisboa, torceram-se milhares de pés, partiram-se centenas de pernas, estatelaram-se incontáveis criancinhas, senhoras, cavalheiros e periclitantes “idosos”, atiraram-se milhares de pedras, partiram-se cabeças, inundaram-se caves, apodreceram fundações e paredes, etc.
Viva o Costa!
O homem declarou ter tomado a decisão de asfaltar os passeios e de dedicar os esforços da Câmara à eliminação da chamada calçada portuguesa nos sítios onde não há condições para a manter, ao mesmo tempo que se propõe preservá-la onde ela é emblemática e pode ser bem cuidada. Muito bem.
É pena que tenha começado por aboli-la, ou não a construir, por exemplo no Terreiro do Paço, onde teria toda a justificação. Tanto tempo já passado, que se lixe, não é?
Espera-se que os adeptos da permeabilidade dos passeios se deixem ficar quietos e acabem com as suas pouco inteligentes reclamações. Igualmente se espera que a classe mais beneficiada com os actuais passeios – os ortopedistas – não faça alguma manifestação de desagrado e que o Mário Soares não desate aos gritos que se trata de mais um ataque à democracia e ao Estado social, razão de sobra para a demissão do Presidente da República.
É claro que estes elogios do IRRITADO são capazes de bater na rocha, isto é, que a anunciada “revolução” não leve dez ou vinte anos a realizar, como aconteceu e continua a acontecer ao jardim do Campo Grande e a tantas outras declaradas “intenções” (não eram promessas, pois não?) que acabaram por ficar no tinteiro.
A simples declaração do chefe da maior burocracia do país – a CML – suscita em si uma razão de esperança. Esperemos o que se vai seguir, na presunção optimista de que ainda não estaremos todos mortos quando as obras começarem.
24.11.13
António Borges de Carvalho

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