IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ÁLVARO CUNHAL

 

Falo do seu exemplo de seriedade pessoal, da coragem na adversidade, da audácia na acção, da capacidade de resistir e de persistir, da clareza nos propósitos e objectivos, da firmeza e da tenacidade na luta.  

… ninguém lhe pode negar a entrega total e pessoalmente desinteressada àquilo em que acreditava, a coerência firme e inflexível, a militância constante.

(Do discurso do presidente da Câmara de Lisboa, na festa de inauguração da chamada “Avenida Álvaro Cunhal”).

 

Lidas estas linhas, e pondo-as fora do contexto, verifica-se que se aplicam como uma luva a Estaline, Lenine ou Hitler, todos eles cheiinhos de “coerência”, de “coragem”, de “militância”, etc. O problema é que julgar políticos pelas suas qualidades pessoais é muito pouco. Primeiro, porque não se sabe se se trata de qualidades ou de fundamentalismo cego e de intolerância assassina. O que é o caso. Segundo, porque tais qualidades se medem pela forma como foram usadas, não apenas por elas.

 

Cunhal jamais lutou pela liberdade dos seus concidadãos. Lutou, sim, pela substituição de uma ditadura por outra bem pior. Aliás, nunca alinhou fosse com que tentativa fosse de acabar com a II República, e a todas acusou de “aventureirismo burguês” ou equivalente, sendo que há até quem diga, com foros de verdade, que algumas delas foram denunciadas à PIDE por sua iniciativa. Cunhal só viria a apoiar o fim da II República quando teve a garantia de ter o MFA devidamente infiltrado pelos seus fiéis.

É evidente, e historicamente provado, que Cunhal era um peão da URSS – o “Sol da Terra”, nas suas próprias palavras – que o sustentou, apoiou política e financeiramente, o louvou e condecorou.

A sua fidelidade à ferocíssima ditadura comunista da Rússia é um dado indiscutível. Cunhal apoiou a invasão da Checoslováquia pelos tanques soviéticos e chegou ao ponto de classificar o desastre de Chernobil como um acidente menor, para citar dois exemplos marcantes de cegueira, desonestidade e fundamentalismo.

Comandou o PREC com mão de ferro, e só aliviou a pressão depois de ver o êxito dos seus sequazes na tomada de poder do bolchevismo nos territórios africanos, “libertados” do garrote português e entregues, por escravidão ideológica, à destruição económica, à guerra fratricida, à doença e à fome, com o seu cortejo de mortos, estropiados, de assassínios políticos e de socialismo “esquemático”.

 

É esta a coerência e demais excelsas qualidades a que o Presidente da Câmara de Lisboa, destituído de qualquer resquício de probidade intelectual e política, presta pletórica homenagem, quiçá a troco de uns votos. Ou pior, porque se calhar é sincero nos elogios.

Que vergonha ter um presidente como este, e vê-lo dar a uma rua da minha cidade o nome do que foi, de longe, o maior canalha político do século XX!

 

10.6.13

 

António Borges de Carvalho



12 respostas a “ÁLVARO CUNHAL”

  1. «O maior canalha político do século XX!» Presumo que se refira apenas a Portugal; ainda assim, um epíteto algo ambicioso, não acha? E para mais, «de longe»? Eis o problema: Cunhal QUERIA tornar Portugal num satélite da URSS ou da RDA; QUERIA instalar um regime ainda mais autoritário que o de Salazar; QUERIA impor-nos os “amanhãs que cantam”, e que bem sabemos como cantaram nesses países; em suma, QUERIA muita coisa… mas não ganhou quaisquer eleições, e não governou nada. O Irritado baseia-se nas ideias de Cunhal, e no que adviria dessas ideias. Mas na realidade, que é onde vivemos, isso nunca aconteceu. Alguns acham que foi devido ao célebre discurso do Chulares na Fonte Luminosa; mas basta conhecer um pouco do “Portugal profundo”, sobretudo do Tejo para cima, para saber que um regime comunista teria melhor acolhimento em Marte do que cá. A prova disso é que hoje, 40 anos depois e em plena crise do capitalismo, o PCP não está mais próximo do poder, pelo contrário: está muito mais longe do que então. Logo, e voltando ao início: Cunhal, o maior canalha político? Duvido. Fica atrás, muito atrás, dos canalhas que REALMENTE governaram… e que deixaram o país neste estado, enquanto prosperaram à conta da nossa miséria colectiva – como CANALHAS que são.

  2. Permitam-me discordar.Dizia Lao Tse que se devem julgar as pessoas de acordo com as características das pessoas, as famílias de acordo com as características das famílias, as nações de acordo com as características das nações. Eu acrescento as ideologias de acordo com as características das ideologias. O Sr. Irritado cola o Dr. Álvaro Cunhal a subserviência a potências estrangeiras. Parece não ser um bom argumento. Essa das ditaduras de sinais contrários deve ter bebido no Dr. Mário Soares, um dos múltiplos tiranos que por cá desgovernaram. Penso que um país liderado pelo Dr. Cunhal seria um estado de direito autoritário. Com o Jerónimo não. Não tem competência. Os Soares, Sócrates, Cavacos e Coelhos e outros também a não tem. Por aquilo que a chamada opinião pública deixa transparecer parece que podemos dividir os cidadãos em duas categorias: delinquentes potenciais aqueles políticos que não entraram em órgãos soberania e delinquentes efectivos aqueles que deles fizeram ou fazem parte. Estão de fora autarquias e tribunais judiciais.O Estado Novo também foi um estado de direito autoritário. A soberania residia na Nação de acordo com a Constituição de 1933. A partir daí criou-se uma cadeia de obediência.Não consta que naqueles tempos se sobrepusessem as vontades individuais às leis e andassem a roubar o povo como agora.O Sócrates colocou dinheiro do Povo no BPN para acobertar ladrões.O Coelho coloca dinheiro do povo no BANIF para depois ser esbulhado pelos seu gestores.O saque continua!Quando um soberano não tem capacidade de colocar na ordem os seus mandatários é preferível arranjar alguém que o faça ou então será roubado juntamente com os seus súbditos.Será que o senhor Irritado pensa que a soberana de Inglaterra é a rainha D. Isabel II? Andou para aí um Procurador Geral a dizer que ainda tinha menos poderes

    1. Portugal e a Grécia são os únicos países da Europa ocidental onde ainda há partidos comunistas. se acrescentarmos a Constituição “social” que impede qualquer reforma que se veja, então até da Grécia ficamos atrás. Como vê, a sombra de Cunhal ainda paira sobre nós.Quanto à Rainha de Inglaterra, engana-se redondamente. A Senhora representa, de facto e de direito, a soberania britânica, para além das circunstâncias, das modas e da política. Substancialmente, tem, no seu Reino e não só, mais poder que seja quem for.Porque o poder dela é o poder do povo. O governo britânico é o Governo de Sua Majestade. Sabe porquê? Porque Sua Majestade é a mais alta, e indiscutível representante do povo soberano. O PGR que disse o que disse é, mais que não seja por isso, uma besta quadrada.

      1. Portugal e a Grécia têm outra coisa em comum: são os países da Europa ocidental com a mais corrupta, ruinosa, e impune CLASSE POLÍTICA. Curiosamente, o Irritado esqueceu-se disto. E em boa verdade, os comunas gregos nunca governaram. O governo foi sempre partilhado entre os socialistas (PASOK) e os de centro-direita (Nova Democracia). Faz-nos lembrar alguma coisa, não faz? Quanto à realeza, ainda bem que representa o «povo soberano»: este é tão soberano, aliás, que até sustenta classes parasitas sem ter qualquer voto na matéria.

        1. Pelo contrário, tem todo o voto na matéria! A Rainha (ou o Rei) é confirmada por um Parlamento devidamente eleito, formado por deputados responsáveis perante os respectivos eleitorados e escolhidos por eles. Não diga que a coisa não funciona, ou que tem oposição que se veja.

  3. o desespero vale assim tanta demagogia, caro Irritado?É por estas e por outras que nas próximas legislativas votarei PCP (sendo militante do PSD com as quotas em dia)!Talvez ajude a correr com os canalhas! Tenho esperança que o sr. Louçã Rabaça, e o seu chefe, sejam encarcerados nas catacumbas que construíram.

    1. Está a ver? Afinal o Cunhal era muito mais coerente que v.!Coitadinho dele. Coitado do XXI!

      1. Avatar de XXI (na próxima digo quem sou)
        XXI (na próxima digo quem sou)

        Como diz um meu amigo (militante doentio do PSD desde a sua Fundação), “não me fodas, pá”!Dito de outro modo (como habitualmente digo), “não me tires o que é meu”.

        1. Quem nos tirou o que é nosso foi o Pinto de Sousa. Quem nos continua a tirar o que é nosso é a estupidez europeia.

          1. Acredita no “pai natal”?Não foi (só) esse que “tiriirou”, embora aí se tenha agravado a hecatombe que começou no Durão.Na verdade, o maior é o seu Pedro (o “actual”).Por isso, o PCP, nas próximas legislativas levará o meu voto, em sinal de protesto.

          2. A sua coerência ideológica é formidável!

  4. Agradeço a resposta ao seu comentário e compreendo-a. De facto, sua Majestade representa o Povo e representa-o em todo o seu poder e unidade apesar de os ingleses já terem a sua Magna Carta quando outros povos em absolutismos tirânicos. Com ela tem vindo a progredir. Porém, penso não estar enganado em matéria de soberania e poder quer relativamente ao Reino de Sua Majestade quer à República Portuguesa. Até penso que os reinos estão em vantagem. Quando as opiniões públicas são alarves como a nossa os políticos poderão pensar:«Parece não fazer mal a uma mosca mas é bom ter sempre cuidado. Às vezes donde menos se espera é que elas acontecem.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *