IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CABECINHAS PENSADORAS

 

Uma plêiade de ilustres figuras da nossa praça, gente tão fina como Manuel Carrilho, Henrique Neto, Rui Tavares, Eurico Figueiredo, Edmundo Pedro, Veiga Simão, Vasco Lourenço, Adelino Maltez… decidiram fazer um manifesto (os manifestos estão na moda) para “democratizar” o sistema.

Muito bem.

Olhemos esta malta. À excepção do Maltez – que diz que não é de esquerda, ainda que não se perceba o que quer dizer com isso –  trata-se de um grupo de socialistas descontentes. Reconheça-se que é gente com alguma coisa dentro da cabeça e dêsse-lhes o devido respeito. Também não se percebe o que anda lá a fazer um boçal do calibre do Vasco Lourenço, mas isso é lá com eles.

Adiante.

O esclarecido escol, basicamente, propõe uma espécie de revolução eleitoral. Pelo que os jornais dizem – se calhar não perceberam – trata-se de alterar substancialmente a forma de designação dos titulares de cargos políticos, de forma a aproiximar os eleitos dos eleitores e a evitar certos tipos de carreirismo e de partidismo. A intenção pode ser louvável. Só que, mais uma vez pelo que dizem os jornais, querem criar uns mecanismos de uma complicação digna de burocratas militantes.

O IRRITADO, que, como já foi dito, não tem objecções de base às intenções desta elite de pensadores descontentes, permite-se aconselhar os subscritores a dar por aí uma volta, por exemplo até ao Reino Unido e à França, países com sistemas maioritários e unipessoais, com uma volta num caso e duas no outro.

No Reino Unido não há membros do governo que não tenham sido eleitos, e todos eles continuam a ser deputados. Os eleitos são-no por círculos uninominais, precisando os candidatos, a) de ser conhecidos no seu círculo e b) de pertencer a um partido. Um sistema totalmente diferente do nosso. Com defeitos e virtudes. Daqueles, destaque-se a possibilidade, já verificada de o partido com mais deputados não ser aquele que mais votos teve. Em França, qualquer cidadão se pode candidatar, mediante condições relativamente simples. Tanto pode ter o apoio de um partido como não o ter. O candidato, porém, tem que fazer a sua campanha individual. Chega a acontecer que o eleito o seja sem qualquer apoio partidário, ou até contra um partido a que já tenha pertencido. Os candidatos, eleitos ou não, têm direito a uma subvenção estatal calculada em função do número de votos obtidos. Não raro é ver-se fulanos que nunca foram eleitos exercer a nobre profissão de candidatos. A subvenção dá-lhes para ter um escritório e passar as legislaturas a fazer a sua propaganda, distribuir um jornalinho, “lutar” pelos seus eleitores, etc.

 

Não sei se os sistemas britânico e francês são melhores ou piores que o nosso. Têm qualidade e defeitos. Merecem atenção, obviam a defeitos de que a plêiade se queixa, e é tudo. Nem num nem  noutro sistema há “eleições para eleger candidatos a eleições” ou outras coisas que serão ideais mas parecem demasiado confusas para o pobre do eleitor.

Já agora, não seria mau se os brilhantíssimos intelectuais, se querem aperfeiçoar o sistema, juntem outros que nada tenham a ver com o socialismo, só com a Democracia. Senão, acontece como com o Vasco Lourenço, que prometeu democracia mas o que queria era socialismo!

 

14.3.13

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “CABECINHAS PENSADORAS”

  1. Olhe, para variar, fale sobre o “competentissimo” Vitor Gaspar.Óbviamente que é “competentissimo” por confirmar todas as previsões (claro, não as dele, outrossim as minhas).Berdamerda

  2. Uma verdadeira lição de democracia que nos davam esses Senhores, seria não ligar aos interesses partidários (ou da “tachice”!) e ajudarem na construção de propostas para sairmos desta crise que nos afecta a TODOS, mas não isso não lhe interessa! Distraem-nos com estas pseudo-soluções que pouco ou nada mudarão! De uma vez por todas quando é que as pessoas compreendem que Portugal tem os problemas que tem devido a 2 questões: – Enormes encargos financeiros (a tal divida publica) resultado de anos e anos de politicas desastrosas;- Envelhecimento populacional (comum a muitos outros países), parece que não mas isto influencia em muito a economia; As reformas, meus caros, funcionam com o mesmo princípio dos Seguros, princípio da solidariedade, muitos a pagar para alguns, imaginem o que era se por acaso numa determinada companhia de seguros todos os clientes tivessem um acidente no mesmo dia ?! Era falência certa!Obviamente que não pagar a divida era óptimo, mas esse cenário querido ao tal “socialismo” seria um desastre para Portugal (ou para qualquer outro país), nunca mais teríamos a confiança de ninguém, e então o desemprego e a miséria seriam muito … mas mesmo muito… piores do que agora!!!

  3. Esperava mais críticas a este manifesto: o sistema político favorito do Irritado, recordo, é a MONARQUIA. Fulano é Rei ou fulana é Rainha, pode tudo e manda em tudo, sem qualquer escrutínio, simplesmente porque já nasce assim. A plebe, leia-se, os restantes 99.9999% da população, não é tida nem achada no assunto. Não é lá muito democrático, mas, segundo o Irritado, é melhor do que qualquer República. Na impossibilidade de ter uma Monarquia, porque a plebe é burra, o Irritado prefere o mal menor: uma espécie de República semi-monárquica, no sentido em que os políticos eleitos podem tudo e mandam em tudo, também sem escrutínio sério – mais ou menos como monarcas, embora mais reles, porque não têm o santo sangue azul. Bem no fundo, o Irritado até estaria satisfeito com o sistema actual, se pelo menos os do seu clube (PSD/CDS) ganhassem sempre. Como não ganham, e a plebe até gosta da “esquerda”, acha mal. Visto a esta luz, qualquer manifesto deste tipo – quer provenha de pavões socialistas, ou até de pavões mais ou menos liberais – tem um problema óbvio para o Irritado: retira poder aos políticos / “monarcas” eleitos. Era só o que faltava! Já quando visto a outra luz, por ex. a minha, este manifesto tem outros problemas: – não RESPONSABILIZA a CANALHA POLÍTICA do passado e do presente; – não a vincula aos erros criminosos que nos força a pagar, enquanto fica IMPUNE; – mantém a farsa “democrática”, sem influência DIRECTA nas decisões importantes. A única Democracia digna desse nome, insisto, é uma Democracia mais DIRECTA. Muito mais directa do que a que temos hoje. Tudo o resto é persistir no mesmo modelo semi-feudal, em que uns poucos dominam o resto da população. Quem TRABALHA e quem PAGA, é quem MANDA. Os pulhíticos e os monarcas que – desculpe, Irritado – se fodam.

    1. Sr. Filipe, críticas para quê. O Sr. Irritado, tal como aqueles que o irritam, também é mais crente do que pensador.A República Portuguesa é um estado de arbítrio. Uma tirania e império de ladrões. É uma fábrica de mendigos. Os partidos políticos são grupos de delinquentes contumazes. Não há soberania única e o povo vive sob o jugo de quadrilhas em alternância, agindo acima da lei. O Sr. Irritado, por mais que pense, não consegue libertar-se da sua condição de adepto.Se todos gostassem do amarelo. Cada um é para o que nasce.Como dizia o filósofo:«O que se faz por amor, faz-se para além do bem e do mal«.Viva o FCP! Até os comemos, carago!

    2. A primeira parte do seu comentário, peço desculpa de o dizer, ou é burra ou é cega. Olhe para as Monarquias europeias e cultive-se.Quanto ao resto, duas observações. V. não passa de acusações generalizadas, portanto tão falsas como ilegítimas.E, como generaliza as maldades de uns, generaliza a bondade de outros com os mesmos “critérios”. É pena que use tão mal a inteligência com que a natureza o brindou. Por outro lado, confunde vontade popular, justiça, seriedade e lhanesa com democracia directa, coisa que não costuma coincidir com nada disso, ainda menos Liberdade. Antes pelo contrário.

  4. Depois de tanta crítica à falta de independência do Irritado,face às forças que corrompem a sociedade (PSD/CDS),e de reparos tão lúcidos à vida política,estava a preparar o foguetório para felicitar os picarotos.Na derradeira linha,porém,um balde de água fria….Tão ilustre pensador acaba dando vivas a uma agremiação que vive há mais de trinta anos,da corrupção e viciação.Como dizia Mateus,”E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?”

    1. Pois é sr. Anónimo, o sr. é adepto porque pensa. É obra! Já agora diga lá qual é o seu clube imaculado.

  5. Essa lógica de picarotos ,aplicada à política portuguesa daria para apoiar qualquer um dos “grupos de delinquentes contumazes”.Faz como eu digo,não faças como eu faço.Um pequeno esforço de intelijumência e acaba percebendo.

  6. SabedoriaUm velho sábio, pessoa de inteligência rara, em gozo de férias num meio rural no qual fazia longas caminhadas a pé, resolveu naquele dia contemplar o entardecer subindo a um miradouro que dispunha de uma vista soberba, por sugestão das pessoas da terra onde veraneava.Pegou a sua mochila e meteu-se a caminho, subindo a ladeira íngreme que dava acesso ao miradouro. O calor apertava e os anos pesavam. Cansado sentou-se à sombra de uma árvore que se encontrava na berma do caminho.Olhando o caminho percorrido, divisou um burro que subia ladeira acima, transportando uma enorme carga. Espantado, observou que o burro caminhava em passo miúdo e ritmado, andando aos ziguezagues, serpenteando de uma berma à outra do caminho, o qual já serpenteava pela montanha. Estranhou e pensou que o animal, andando daquela maneira, teria de percorrer uma distância maior para fazer o mesmo percurso, fazendo jus ao seu nome e, foi com um olhar e sorriso de superioridade que acompanhou o andar do burro que o ultrapassou enquanto descansava.Retemperadas as forças retomou a caminhada. Debaixo daquele calor e, com algumas forças a fugirem-lhe, deu por si a andar também aos ziguezagues. Começou a gostar e continuou a caminhar daquele estranho modo até chegar ao alto da subida.Contemplando a soberba paisagem que dali se desfrutava e inspirando fundo aquele ar puro e perfumado, olhou o burro que, alijado da sua albarda e carga, mastigava umas ervas secas, penitenciou-se pelo juízo leviano que sobre ele fizera e murmurou baixinho: Daqui em diante, farei sempre como tu me ensinaste!As monarquias do norte da Europa são estados de direito.Portugal e a Venezuela não o são.Se o sistema em Portugal fosse presidencialista os portgueses elegeriam um tirano. Os irritados portugueses odiariam os «Chavez» e adorariam os líderes das facções opostas.No entanto, acham-se muito europeus do norte.A classificação das posições adversas das nossas de generalidades é, normalmente, falta de cacidade de análise.

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