O ex-engenheiro foi objecto (não vítima, objecto) da chacota do país por causa das suas trapalhices universitárias. O anedotário é rico, expressivo, incontrolável e incontornável. A última medida do simplex – canudo na hora! – é só uma das piadinhas, como que a simbolizar todas elas.
Daí não vem mal ao mundo e, na opinião do dr. Mendes, mal não deve vir ao ex-engenheiro, o qual, na douta opinião do chefe do PSD, deve continuar onde está, por muita falta de carácter de que o acuse.
E pronto, dir-se-ia que ficamos por aqui.
Mas não. A coisa não vai assim com tanta facilidade.
Imaginem que, segundo rezam as notícias, um tal Charrua, professor de inglês no secundário, “foi suspenso das suas funções e depois dispensado por ter emitido um “”comentário jocoso”” sobre a licenciatura do primeiro-ministro”. Dona Margarida Moreira (aposto que é, ou do PS ou discípula do Sá Fernandes), chefa do Charrua, suspendeu preventivamente o professor, abriu um processo disciplinar e participou o caso ao Ministério Público”. Nem mais nem menos, que a mulher, pelos vistos, não é de modas.
Pensei comentar o assunto. Não vale, porém, a pena. Transcrevo, para quem está menos atento ao que se passa neste pobre país, o que o Charrua escreveu num blogue: “O crime de opinião volta a estar na ordem do dia, a censura mostra agora as suas garras, o terror campeia, a boca calada é imposta pelo temor de processos disciplinares, os informadores pululam e a administração sente-se segura e livre de opositores ao Governo”.
Força, ó Charrua! Dá-lhes!
António Borges de Carvalho

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