IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PRIVILÉGIOS


Nas suas pequenas andanças dominicais, foi o IRRITADO levado até ao Parque das Nações. Fez umas compritas no AKI, e meteu-se à estrada para regresso às Avenidas Novas.

Ao chegar à Avenida de Roma, um polícia fê-lo dar meia volta. Que chatice! Na avenida passavam, ora um ora outro, uns tipos de calções, a correr. Rastaparta o azar. Logo hoje que tive a peregrina ideia de ir comprar duas fichas fêmeas é que estes palermas resolveram andar para aí às corridinhas sob a protecção prestimosa e autoritária da PSP! Obedeço, dou a meia volta da ordem e meto-me por aquelas ruas um tanto intricadas do bairro. Dou comigo na impossibilidade de inverter a marcha na Avenida dos EUA e decido ir até ao Areeiro, para apanhar a João XXI. Qual quê! A tropa fandanga subia a Almirante Reis e virava à esquerda. Outro polícia a enxotar os carros. E lá vou eu para os lados das Olaias dar a volta para apanhar o túnel do Soares até ao Campo Pequeno. Vitória!

Umas continhas, quiçá erradas. Perdi três quartos de hora e, pelo menos, um litro de gasolina. Calculando em dez mil o número de cidadãos a quem terá acontecido mais ou menos o mesmo, teremos uns dez mil litros. Pelo menos 15.000 euros para o galheiro. Isto sem contar com os nervos em franja, as chatices, o tempo perdido, sabe-se lá se o Domingo estragado, os encontros perdidos, as zangas por causa dos atrasos.

Tudo isto porquê? Porque há uns milhares de cidadãos que, com todo o direito, gostam de andar umas horas a esfalfar-se, sentindo-se uns desportistas, viris, cheios de fitness. Gabo-lhes a pachorra e não os condeno. Pois se até o Sampaio e o Pinto de Sousa eram clientes da modalidade, porque não hão-de os bombeiros, os pedreiros, até os doutores e os engenheiros fazer o mesmo?

Muito bem, divirtam-se. Se tiverem algum colapso, lá estarão o INEM e o SNS para tratar do assunto.

O problema está em saber se estas maralhas têm o direito de impedir os outros de fazer a sua vidinha normal. Corram, esfalfem-se, tenham síncopes, o problema é deles. Mas o que é que os outros têm com isso? Não podiam fazer a coisa numa pista de corridas, não podiam passar o dia a correr à volta do jardim do Campo Grande? Não podiam fazer a farra numa auto-estrada, dessas que não têm carros, guardando a outra faixa para os dois sentidos do lá vem um? Porque não usam a ciclovia do Guincho a Cascais, mais o paredão de Cascais à Azarujinha, ida e volta, as vezes que quiserem? E de madrugada para não prejudicar as pessoas normais?

Eu sei que há coisas destas em locais talvez mais nobres que Lisboa, Londres, Paris, Nova Iorque, etc., e que em todas é a mesma fita. Mas não é por ser moda que está certo. Uma vez, em Paris, assisti a uma manifestação do género. Felizmente, nesse dia levantei-me tarde e só presenciei o patético rescaldo: centenas de desgraçados, semi-nus, com umas coisas de plástico a cobri-los, fornecidas pela organização, por pudor ou para não enregelar no meio da rua. Coisa deprimente e absurda.

Fica a reclamação. Corram mas não chateiem.

 

10.12.12

 

António Borges de Carvalho



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