O IRRITADO, que se lembre, não se pronunciou sobre o campeonato da Europa, nem tinha que se pronunciar porque pouco sabe de bola e só gosta de ver um jogo ou outro pela televisão. Aliás, dada a quantidade de filósofos na matéria, arriscar-se-ia aos mais inacreditáveis insultos – sem que, no caso, valesse a pena – se tentase imiscuir-se na “academia” de tantos intelectuais, filósofos, futebólogos e gente da melhor cepa que se dedica a esta intricada matéria.
Mas – é este mas que motiva o post – há coisas que fazem uma confusão dos diabos.
Acontece que alguém pôs à disposição do IRRITADO uma cópia da gravação do Portugal-Espanha que acabou por ditar a eliminação dos nossos.
A partir da visualização do disco, o IRRITADO verificou a veracidade de algumas impressões que lhe tinham ficado ao ver a transmissão em directo. Tem pena de não ter skills electrónicos capazes de pôr à disposição dos leitores alguns fotogramas tirados do jogo e até algumas sequências do dito.
Vejamos:
Uma vez, um dos castelhanos pareceu cair, na grande área, em cima da bola. Aproveitou a ocasião para a ajeitar com a mão: isto é claríssimo no CD. Mas, para o árbitro e, se calhar, para os futebólogos, é coisa que nunca existiu. Noutro momento, outro castelhano, ao ver a bola disparada na sua direcção, protegeu o facies com os dois bracinhos, não fora a bola dar-lhe cabo das ventas. Isto na grande área, pois então. O árbitro não viu. Os futebólogos também não consta que tivessem visto. Acrescente-se que uns oitenta por cento das vezes que o Ronaldo se aproximou da baliza com algum perigo, as suas intenções foram travadas por monumentais sarrafadas, que foram quase sempre objecto da bonomia do árbitro.
Tudo isto foi assim, e está documentado, filmado, pode reproduzir-se à saciedade. Devia ser escancaloso mas não é.
Que o árbitro fosse incompetente, estivesse comprado, drogado, com a gripe das aves, ou outra coisa qualquer, bom, é o menos. Que o senhor Platini tenha achado tudo muito bem e de acordo com os seus evidentes desejos, bom, o que se há-de fazer? Que os nossos jogadores tenham aceite esta coisa toda sem um queixume, compreenda-se e elogie-se.
O que choca é a bonomia dos futebólogos e quejandos, federação incluída, prontos a aceitar sem um grito esse “rei nu” que é a equipa castelhana quando a jogar contra os seus hermanos. Hermanos uma gaita!
Estes filósofos todos estão “irmanados” na aceitação, sem uma palavra de protesto e de repulsa, desta monumental trafulhice que foi levar ao colo os castelhanos até à final.
Aceite-se que ganharam nos penaltis, pois que o digam. Deviam dizer também que, não fora a anterior falsificação do resultado, os penaltis nem tinham sido precisos!
Cambada!
6.7.12
António Borges de Carvalho

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