IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COBARDIA


A troica prescreveu a reorganização territorial, com fecho de municípios e de juntas de freguesia. O inigualável Pinto de Sousa subscreveu, o PSD e o CDS aceitaram.

É bom? É mau? O diabo que o diga.

O IRRITADO acha bom, mas compreende os que acham mal. Defender capelinhas foi sempre uma das mais queridas e bem exercidas “competências” dos portugueses.

O governo, infelizmente sob a batuta do Relvas, resolveu avançar, mas começou por recuar: deixou cair os municípios, quantos deles mais que inúteis, até contraproducentes, e ficou-se pelas freguesias. Começou pelo fim.

Adiante.

Como nem o minstro Relvas nem os partidos (clientèle oblige…) têm coragem política para entrar a matar nestas terríveis matérias, foi resolvido criar um dos habituais “grupos de trabalho”, desta vez pomposamente intitulado “Unidade Técnica para a Reorganização Aministrativa”, que acompanhará o processo de extinçao de freguesias. Para já, mais nada.

Interessante é ver como a Associação de Municípios, a congénere das freguesias e o PS se recusam a participar na tal unidade técnica.

É de ver. A rapaziada não está para ser extinta, mesmo que haja razões para isso. Recusa-se a “dialogar” – coisa que está na moda, pela qual passam a vida a gritar e que muito contribui para a nacional-paralisia. Normal. Coerente. Esta malta só dialoga sobre o que lhe convém, e a título imediato.

Para o PS a narrativa é outra: não indicará qualquer nome para a coisa, porque discorda da “metodologia e da solução adoptadas”. Extraordinário espírito de cooperação e responsabilidade. O PS recusa-se a participar numa coisa destinada a discutir a solução e a metodologia a adoptar, porque já estão adoptadas! Se já estivessem adoptadas para que raio serviria a “unidade”? Lindo!

Passo a explicar: por brilhantíssimos raciocínios socialistas os rapazes devem ter chagado à conclusão que a história das freguesias vai dar muito que falar, muitos protestos e muito descontentamento. Daí, o melhor é não se meter no assunto, tirar o cavalinho da chuva. O PS subscreveu a reforma com a troica, mas isso foi o outro! O Seguro não tem nada com isso, não é?


Há quem chame a isto irresponsabilidade. Há quem diga que é oportunismo. O IRRITADO chama-lhe cobardia.

 

5.7.12

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “COBARDIA”

  1. Avatar de daniel tecelão
    daniel tecelão

    Tomando como certo ser o assunto em apreço uma manifesta atitude de cobardia,muito haveria a falar sobre cobardia e cobardolas.Ao longo da nossa história politica pós 25 de abril,quantas vezes a direita trocou de protagonistas e assobiando para o lado descartou responsabilidades por atitudes dos correligionários que os antecederam!Bem prega frei Tomás!!!

  2. Escreve o Irritado, “…nem o minstro Relvas nem os partidos (clientèle oblige…) têm coragem política para entrar a matar …”Assim sendo (para o que verdadeiramente interessa), não tem por aí um corta-Relvas que me empreste?

  3. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Concordo plenamente com a análise do Irritado, mas acrescento que o PSD faria o mesmo ou parecido, se fosse ao contrário. Faz parte da lógica desta Partidocracia, a que alguns insistem em chamar Democracia: o essencial não é o bem comum, nem o interesse da população, nem sequer a sua vontade. O essencial é sair por cima, é “ter razão”, mesmo quando salta aos olhos que não se tem. Isto é transversal a todos os partidos. Se o PS tiver uma excelente ideia (e nunca tem), o PSD é contra, ou no mínimo abstém-se. Era o que faltava, dar razão ao PS. E se o PCP propõe uma moção de censura ao PSD, o PS abstém-se. Era o que faltava, ir a reboque do PCP. Ninguém, nenhum partido, pode dar “parte de fraco”. Todos têm a solução exacta e perfeita, e o que os outros propõem só pode ser mau, ou pelo menos inferior. Na prática, são todos uma bela bosta, só propõem bosta, e só zelam pelos seus próprios tachos e interesses.

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