A OCDE – a autêntica, não aquela inventada pelo senhor Pinto de Sousa – chegou à conclusão que os funcionários públicos portugueses são os que menos horas trabalham na Europa.
Estranhamente, ou nem por isso, os alemães são os que trabalham mais horas!
A OCDE faz contas a partir da legislação, como é óbvio, com férias, feriados, pontes e ouras martingalas oficiais. Se a OCDE contasse com os três dias do artigo xis, com as tardes do artigo i grego, com a semana da menstruação, com a licença para aborto, com as benesses do chefe, com as baixinhas à maneira do médico amigo ou do da caixa, etc., então quantas horas seriam?
É claro que, já li não sei onde, segundo os sindicatos, o que interessa não é o número de horas de trabalho, mas a qualidade do dito. Pois claro. Deve ser por isso que quem progride na vida se está nas tintas para horários e trabalha as horas que for preciso sem alegar “direitos” especiais. Mas isso é outra história. Os que têm do trabalho a ideia de uma coisa a que se encostam, que foi ao que os habituaram, esses são capazes de reivindicar, de pleno direito, o pagamento dos cinco minutos a mais que esfolaram na semana passada.
Aliás, é de pensar que o Arménio, o senhor Picanço, a dona Avoila et alia acham que os alemães são umas bestas e uns preguiçosos, já que levam tantas horas no serviço. Ao contrário do que se passa por cá, deve tratar-se de um trabalho de péssima qualidade! Temos “direitos”, que diabo!
Se a crise tivesse solução, entendendo por solução o que nos permitiria voltar a viver como nos tempos gloriosos do PS mas sem ser à custa dos outros, talvez os sacrifícios de tanta gente (os funcionários são dos que menos fazem parte dessa tanta gente) contribuíssem para mudar os hábitos de trabalho da malta, para pôr alguma inteligência na cabeça dos sindicalistas e, passada a crise, talvez a sociedade portuguesa entrasse nos eixos.
Wishfull thinking, dir-se-á. Mas ter esperança nunca fez mal a ninguém.
1.5.12
António Borges de Carvalho

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