A seu tempo, o IRRITADO protestou energicamente contra o sistema de portagens adoptado para a ex-scuts.
A coisa, basicamente, consistia em não haver portageiros, o que muito dizia quanto às preocupações com o emprego do governo de então. Depois, as “preocupações sociais” daquela gente resultaram na mais incrível pessegada em relação a quem paga o quê e como. Houve, como é evidente, uma série de negócios pelo meio, uma data de artistas (chapeau!) que se fartaram de vender equipamento, pilares, colunas, etc. e tal. Que diabo, tratava-se de um governo “moderno”, com ideias progressistas e inovadoras!
Posta a coisa em marcha, verificou-se que não funcionava a contento fosse de quem fosse. Portugal, que dispunha de um invejável sistema de portagens, passou a ser uma selva de confusões.
Agora, atingiu-se o climax. Os espanhóis e os demais, se querem entrar com o carrinho, têm que estar horas na bicha. Bem podem espernear que não há nada a fazer. Não há, sequer, umas maquinetas de moedas ou de cartões de débito! Sequer umas meninas que, a partir da sua cabine, sorriam aos estrangeiros, lhes dêem as boas-vindas e lhes saquem uns tostões. Genial.
Tão mau como isto tudo é a medida anunciada por este governo de passar a cobrar as portagens do lado de lá da fronteira, o que equivalerá, primeiro, a passar as bichas lá para fora e, segundo, a pagar umas comissões aos espanhóis pelo serviço.
Que lógica terá esta imaginativa solução é coisa que nem o Einstein perceberia.
Mas Portugal é Portugal, não é? Querem melhor? Então sigam o sábio conselho do Primeiro-Ministro e vão chatear outro.
14.4.12
António Borges de Carvalho

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