IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O ESCÂNDALO DA MEIA HORA

 

Em tempos que já lá vão, o IRRITADO trabalhava na indústria. O trabalho começava às oito da manhã, de Verão e de Inverno, chovesse ou fizesse sol. Folgava-se no Sábado à tarde – coisa introduzida pelo “fascismo” e chamada “semana inglesa” – e no Domingo. Férias, ao fim de um ano, mais ou menos uns quinze dias, a engordar com o tempo.

Havia duas espécies de trabalhadores: os que cumpriam horários, isto é, saíam às cinco, e os que se deixavam estar, mesmo sem receber horas extraordinárias.

Quer isto dizer que quem queria progredir na vida tratava de se esforçar, valorizar e preparar para mudar de emprego assim que surgisse a oportunidade. Isso custava tempo, às vezes sacrifício, mas acabava por compensar. Quem queria guardar o empregozinho, guardava: picava o ponto à chegada e à pontualíssima partida, ninguém o punha na rua e, às vezes, até se era promovido. 

A semana de trabalho tinha, pelo menos, 44 horas.

Era preciso? Não se sabe.

 

Vem isto a propósito de uma subida das horas semanais de 35 ou 40 para 37,5 a 43,5. Mais ou menos, que disto sei pouco.

Como não me lembro de alguma vez ter trabalhado menos de umas cinquenta horas por semana, mesmo sem gostar de trabalhar, não consigo perceber o sururu que esta decisão do governo, boa ou má, vem causando.

O problema é que, se não é difícil ir de burro para cavalo, a inversa causa uma indignação dos diabos aos picadores de ponto, que são a maioria. E, como estamos em democracia, a maioria é que manda ou devia mandar. Pelo menos é o que pensa a indignação popular. Nesta conformidade, há que apelar aos ditames em boa hora ínsitos na Constituição da III República: todos têm direito a tudo, façam o que fizerem ou o que não fizerem. Os “direitos sociais” não se aplicam na medida do possível, aplicam-se porque são direitos como os demais, absolutos e indiscutíveis.

Os reaccionários como o IRRITADO acham que não é bem assim, isto é, que há um abismo conceptual entre direitos propriamente ditos e coisas que é desejável ter se houver dinheiro para as pagar. Mas isto são ideias estúpidas, para não dizer fascistas. Coisas que causam a maior indignação.                      

 

16.10.11

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “O ESCÂNDALO DA MEIA HORA”

  1. Mais 1/2 hora de trabalho diário serve para engordar mais os patrões.Mais 1/2 hora de trabalho diário serve para aumentar o desemprego.Só não serve para tirar o país da crise!!!

    1. Nunca vi os “patrões” tão aflitos e depauperados como agora e, como regra, meia hora de trabalho a mais é indiferente para a produtividade (ou falta dela). Trabalha em consciência quem quer, com ou sem horário. Não quero com isto dizer que os trabalhadores portugueses não são produtivos; pelo contrário, quando bem liderados e inseridos em estruturas organizadas, os portugueses são dos melhores e mais respeitados trabalhadores do mundo. E eis a grande questão: com honrosas excepções, os nossos empresários são grandes nódoas no que respeita ao tema “organização”; são mesmo magníficas cópias da grande balbúrdia nacional. Meia hora … só fará diferença pelo tempo que se subtrai à vida pessoal, porque na esmagadora maioria dos casos é uma regra inútil sob todos os pontos de vista. Talvez a EDP ganhe com o assunto!As (raras) boas organizações e a atitude dos seus trabalhadores, essas sim, fazem toda a diferença.

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