Em muitas democracias, sobretudo nas que usam o voto maioritário e os círculos uninominais como o Reino Unido ou a França, é costume dos deputados manter um escritório na sede da sua constituency, ou do seu cercle. Nada mais natural.
Por cá, o sistema eleitoral não impede tal prática. Dele decorre, porém, que os eleitores que queiram falar com os deputados devem dirigir-se às sedes locais dos partidos.
Até aqui tudo bem, ou não muito bem, mas é assim.
Temos, apesar de tudo, as nossas originalidades.
Ora vejam. Um fulano, ex governador civil de Faro e actual deputado do PS, possuído de fervores franco-anglo-saxónicos, resolveu abrir as portas para receber os seus eleitores… no ex “seu” governo civil. Coisa que não é do PS, nem dele, e onde o homem tem tanto direito a sentar-se como o Zé do Telhado.
Uma velhíssima máxima reza: “não voltes onde foste feliz”.
Pode perceber-se que o fulano em causa não saiba da máxima, ou não a siga. Não se pode perceber que o tipo se arrogue o direito de se servir de um sítio que lhe pertence tanto como a qualquer outro, ou seja, não lhe pertence de todo.
O IRRITADO apela ao Ministro que trata destas coisas: senhor Ministro, faça p favor de dar ordens urgentes à polícia para pôr na rua o ocupante do Governo Civil de Faro, se necessário à força.
Caso contrário, ainda nos arriscamos a ver o senhor Pinto de Sousa de volta a São Bento, já com o canudo de filosofia debaixo do braço, tirado em oito dias!
19.7.11
António Borges de Carvalho

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