No lavar dos cestos de ontem apareceu-nos o senhor Pinto de Sousa, lacrimejante e suado, a ler, na cábula electrónica, um estranho discurso.
Tão estranho que, dir-se-ia, não foi escrito por ele.
Dir-se-ia? Di-lo o IRRITADO com todas as letras.
E arrisca uma hipótese:
Na plateia, com um ar de avô transbordante de ternura, Almeida Santos sorria enlevado. O texto era dele! Venha o mais pintado dizer o contrário.
De quem poderia ser? Dos trauliteiros de serviço? Nem pensar. Não dominam a língua nem têm estrutura cerebral para discorrer assim. Do Lelo? É notório que o Lelo não dá, nunca deu, nunca dará duas para a caixa. De um dos três ou quatro silvas que se dedicam ao ultramontanismo socrélfio? Coitados!
Em verdade vos digo que foi o Almeida Santos, desde sempre conhecido por ler no parlamento os seus rebuscados trabalhos de casa, sem nunca ter feito um discurso propriamente dito.
Facto é que foram precisos seis anos para ouvirmos da boca do senhor Pinto de Sousa, por uma vez, alguma coisa que não fosse pura demagogia, desavergonhada mentira, maçadora repetição, ou pura inanidade. E sem pontapés na gramática!
Congratulemo-nos por isso.
O homem, ainda que por interposto escrevinhador, disse duas seguidas. Saiu com o rabo entre as pernas, ainda bem e até que enfim!, mas ganiu com propriedade.
6.6.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário