IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FUUROLOGIA II

Com a pompa e a circunstância que presença do Exmº Senhor Pinto de Sousa (Sócrates) confere a tudo o que goza de tal e tão augusta presença, foi lançado, numa ilha atlântica, o Novo Cartão do Cidadão. Sursum corda!

Uma menina e um velhote, em representação de todos nós, foram contemplados com mais esta inequívoca demonstração do que é o Portugal  socréfio, moderno, tecnológico, avançado, precursor, prafrentex, simplex, olarex.

O dito cartão contém, para já, os dados do BI, do NIF, da SS e do US. Dentro em pouco, incluirá, outrossim, o Cartão de eleitor.

Sob a mesma epígrafe, publiquei, em Janeiro, as minhas observações sobre o facto de, no computador da CML, se encontrarem, sem minha autorização, uma série de dados sobre a minha pessoa, provenientes do computador das Finanças.

Longe estava de pensar que aquilo era só uma espécie de aperitivo para o genial Cartão do Cidadão. A coisa, porém, fazia o seu caminho muito mais depressa do que eu pensava.

Dentro em pouco, o nosso cartãozinho terá o que o Exmº Senhor Pinto de Sousa (Sócrates) entender: a carta de condução, as multas de estacionamento, o sinalzinho das costas, as compras com o Multibanco, a continha de depósitos à ordem, a renda da casa, o número de sócio do Benfica, as compras e vendas de acções, as passagens na Via Verde, e tudo o mais que ao Pinto de Sousa (Sócrates), aos procuradores da República, aos agentes da judite, aos fiscais de impostos, aos fabricantes de cartas anónimas, e quejandos, possa vir a interessar. À la limite, se é que há limites para estas arrancadas, a feliz menina dos Açores poderá ver incluídas no inefável cartãozinho as medidas da anca e do peitinho, simplexisando uma candidatura a miss Portugal, o velhote lá terá as medidas do caixão, poupando imenso tempo à Servilusa, e assim por diante. As distintas autoridades poderão saber a data e a hora a que V.Exª comprou a última caixinha de Viagra ou de pílula do dia seguinte, tudo com uma simplexidade ultramoderna, rápida e sem desmentido possível.

O Big Brother é uma pobre criancinha ao pé disto tudo, uma ilusão libertária de um escritor de outros tempos. A protecção de dados pessoais será, a breve prazo, um obsoleto resquício de práticas medievais.

Enfim, aí temos o socialismo na sua mais requintada expressão.

E há, segundo vejo por aí, uma data de gente a gostar da coisa! Valha-me São Pancrácio, santinho que não conheço mas com quem simpatizo imenso.

 

António Borges de Carvalho


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *