Como era de esperar, as negociações deram em nada. Após 4 horas de espera, enquanto o Santos, presume-se, conferenciava com o chefe, o Doutor Catroga veio explicar tim tim por tim tim o que se passara: à última da hora o PS veio apresentar um “documento final”, “não negociável”, a sua última palavra. Perante isto, o Doutor Catroga, e muito bem, chegou finalmente a um acordo com o governo: nada mais há a negociar, bom dia meus senhores. Acabou.
Tudo isto faz parte de um quase imperdoável excesso de boa-vontade por parte do PSD: sentar-se outra vez à mesa com gente que não quer, nem sabe, negociar, que nunca negociou, que sempre teve da política a noção do quero posso e mando, com maioria ou sem ela, que não tem palavra, nem dignidade, nem merece sentar-se à mesa seja com quem for e ainda menos com o PSD.
Porquê? Porque é que o Santos, depois de umas horas com o chefe, recuou e deu cabo das negociações? Com quem é que aprendeu a chamar mentirosos aos outros, quando não pode deixar de ter consciência de pertencer ao mais mentiroso de todos os governos que já houve em Portugal, de obedecer ao mais mentiroso de todos os primeiros da história da Europa?
Com quem havia de ser?
As negociações mais não foram que uma nova manobra táctica do senhor Pinto de Sousa para atingir o objectivo estratégico que tão mal disfarça: o de fazer o PSD chumbar o orçamento.
Para quê? Como é mais que evidente, para dispor de um ano ou quase para governar(?) com duodécimos, podendo atirar à cara do PSD todas as culpas das desgraças que nos vão continuar a acontecer e que, sendo da sua integral responsabilidade, serão, na sua boca, o primeiro argumento para se fazer reeleger.
É preciso que o PSD se não deixe envolver nesta miserável e repugnante tramóia.
Correndo o risco de se repetir, o IRRITADO pede ao PSD que se abstenha, que deixe a batata quente nas mãos do senhor Pinto de Sousa e da sua cáfila de aldrabões. Que anuncie o voto, na abertura da discussão parlamentar, com um violentíssimo discurso de denúncia e nojo, que se cale a seguir – nem mais uma palavra! -, que não ponha os pés na comissão de finanças, que faça uns meses de “educação de adultos”, isto é que, publicamente, denuncie a traição orçamental e política de que o país está a ser vítima, coisa para que, infelizmente, não faltarão argumentos nem acontecimentos.
Dixit.
27.10.10
António Borges de Carvalho

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