A reacção à crise e aos apertos que ela causa, por parte da generalidade dos eleitorados europeus, tem sido uma viragem à direita. Ou seja, por muito que lhes doa e muito que lhes custe, os europeus, no fundo, intuem que o estado social-democrata que, com tanto êxito, se sucedeu à II Guerra, acabou. Os eleitorados sabem que, em ambiente de crise económica e sem suficientes ou visíveis saídas dela, é inevitável alterar profundamente as regras de financiamento da “previdência”, sob pena de acabar com ela a médio prazo – um médio prazo que cada vez é mais curto.
A nenhum eleitorado europeu ocorreu virar à esquerda ou apoiar as receitas dos restos de mentalidades comunistas e socialistas que por lá vegetam.
Nenhum? Mentira. Há um eleitorado, lá para os confins do Oeste, que ainda acredita na “salvação” social-comunista: o nosso!
Olhem as sondagens. Os dois representantes da bolorenta trampa comunista – PC+BE – sobem para quase 10% cada um! Somados com os socialistas, mostram, com mais de 52%, os resultados do analfabetismo político da Nação.
Isto, num país onde nem os partidos mais à direita são de direita. Um diz-se social-democrata e entra em histeria quando lhe chamam liberalizante, outro diz-se democrata cristão e arrenega a liberdade liberal como o diabo arrenega a Cruz.
Isto, num país que se dedica, quase há um ano, a comemorar o mais rasca de todos os regimes políticos que jamais se abateu sobre ele: a I República.
Diga-me o mais pintado como se sai disto para outra coisa que não seja pior que aquela em que já estamos.
3.10.10
António Borges de Carvalho

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