O senhor Emídio Rangel tem vindo a dar ao povo espectáculos verdadeiramente excepcionais.
Estamos habituados a um sem número de servidores do senhor Pinto de Sousa (o Lelo, o Santos Silva, o Vitalino, aquele rapazito que é ministro não sei de quê, o cabeludo porta-voz e tantos mais), gente que não hesita em imaginar, inventar e baralhar o que necessário for para defender o chefe, às vezes de forma tão absurda e tão ginasticada que põe os cabelos em pé ao mais pintado.
Pareceria impossível ir mais além.
Contra todas as expectativas, Rangel consegue-o. Arranca do armazém das frustrações da alma as coisas mais inacreditáveis que se possa imaginar. A patética evidência do que lhe vai na cabeça chega a ser chocante. Acusa este mundo e o outro de não gostar do Pinto de Sousa. Ele próprio, Rangel, acha-se tão importante que, na sua opinião, há montes de pessoas que não pensam noutra coisa que não seja ele próprio. Para lhe fazer mal, é claro. Coitado! Um tipo de quem já ninguém se lembra! Dois terços da república, pelo menos, andam a rezar pela pele do querido líder, com que injustiça, com que malevolência. Tudo, mas tudo o que dizem, é pura mentira, feroz perseguição. Nem uma só das tropelias do senhor Pinto de Sousa tem seja que correspondência for com a verdade.
É nisto que, miseravelmente, estamos. A ridícula comissão de ética do Parlamento parece querer enredar-nos a todos nas raivinhas e nas queixinhas de uma data de gente. Para nada concluir, como já toda a gente percebeu, a começar pelos senhores deputados.
Nas brumas de São Bento, Pinto de Sousa ri-se. Consta que bebe uns copos de champanhe, ou equivalente, à saúde da tal comissão.
9.4.10
António Borges de Carvalho

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