IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


INÊS DE MEDEIROS II

 

Excelentíssima Senhora Deputada Dona Inês de Medeiros,

 

Chère Madame

 

O IRRITADO teve, aqui há umas semanas, o topete de escrever uma carta a Vossa Excelência sobre a importante matéria das viagens semanais de Vossa Excelência, em classe executiva, a Paris, luminosa quão merecida cidade de residência de Vossa Excelência.

Permite-se agora o cullot de voltar à augusta presença de Vossa Excelência. Antes de mais, portanto (como diria o camarada Jerónimo), as mais humildes desculpas pelo atrevimento deste seu servo e amigo.

 

Tem o IRRITADO seguido, com a admiração e a estima que, no fundo da alma, nutre por Vossa Excelência, as vicissitudes por que tem passado a história do ingente problema que a aflige: quem paga as viagens de Vossa Excelência a Paris? Sim. Quem?

Parece que ninguém!

Anda meio mundo preocupado com o assunto, sendo o mais aflito de todos Sua Excelência o Senhor Deputado José Lelo[i], mui Ilustre Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, entidade a quem, sem sombra de dúvida, caberá pagar as viagens de Vossa Excelência.

Ora, como é sabido, o insigne cidadão tem várias dificuldades do tipo mental, coisa de que não terá culpa, uma vez que já nasceu assim. Daí que, por mais voltas que dê ao limitado bestunto com que foi brindado pela criação, não consegue encontrar o competente penduricalho orçamental onde caibam os 1.200 euros que custa cada viagem de Vossa Excelência.

Em que triste miserabilismo vive a Pátria do Senhor Dom João V!

 

Se Vossa Excelência andar por cá uns 10 meses por ano, teremos umas 45 viagens, o que, contas feitas, se cifrará nuns meros 54.000 euros, ou seja, em moeda antiga, uns míseros 10.826.028.000 réis. Em 4 anos de mandato, a coisa não passará, como é evidente, de 43.304.112.000 réis, ou, em moeda republicana, 43.304 contos mais uns pós.

 

Tem Vossa Excelência toda a razão quando, solene e superiormente, declara “não sei quem paga nem quanto custa”. Era o que faltava, Vossa Excelência preocupar-se com problemas destes, coisa para lelos e quejandos, gente de somenos. Vossa Excelência não sabe, nem tem que saber, o valor em jogo. “Nada disso passa por mim”, declarou. Mais. Vossa Excelência, como é de timbre entre os socialistas, não se preocupa com o assunto. “Escolhi uma (agência de viagens), e passei a marcar por essa: telefono e recebo os bilhetes”. É assim mesmo! A altíssima dignidade de Vossa Excelência não permite, sequer, que erga o mimoso cul da poltrona para tratar de coisas menores. Como é óbvio, alguém trás o bilhete, alguém há-de pagar, Vossa Excelência não desce a problemas de lelos. Viaja, e acabou-se. Muito bem!

 

Teve o IRRITADO a desfaçatez, na sua anterior missiva, de suscitar a curiosidade de Vossa Excelência para o facto de haver cidadãos – ainda que, como é lógico, gente de qualidade inferior à sua – que fazem Lisboa/Paris/Lisboa por uns 150[ii] euros, no mesmo avião que Vossa Excelência utiliza, mas lá para trás, com o cul não tão à larga e sem champanhe nem refeição quente.

É certo que Vossa Excelência não tem que descer ao ponto de aceitar sugestões do IRRITADO. Não pode este, porém, deixar de, com todo o respeito, dizer que, se Vossa Excelência o fizesse, o Lelo gastaria 14,5 vezes menos do que vai acabar por gastar com as viagens de Vossa Excelência.

 

Tudo isto não passa, como é evidente, de fruto da mentalidade capitalista do IRRITADO, coisa incompatível com a majestática dignidade socialista de Vossa Excelência.  

 

20.3.10

 

António Borges de Carvalho

 


[i] Lelo – doido, vaidoso (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora).

[ii] Algo me diz que Vossa Excelência, antes de subir ao altar doirado em que se encontra, viajava por 150 euros, como a plebe. Agora, já nem quer saber quanto custa, ou custava, a sandocha e o assento apertadinho. Pois faz Vossa Excelência muito bem! Socialisme oblige.



7 respostas a “INÊS DE MEDEIROS II”

  1. Quando se refere ao LELO está a pensar no tecelão?

  2. Dadas as últimas notícias vindas a lume julgo que pode ser oportuno aprender a fazer contas e a verificar as suas fontes…não é assim tão difícil somar e verificar que o valor apresentado é simplesmente mentiroso.ps. caso precise de umas explicações de matemática experimente dar um pulo a uma aula da 4ª classe…

    1. As sopeiras dos corruptos que nos governam (a quem não chamo socialistas, porque o não são) estão sempre pressurosas na defesa dos piores despautérios por eles praticados. E sempre incógnitos, claro, ou este Dimas será o antigo jogador do Benfica?

      1. Sopeira?Virá de sopas ? Virá de Empregada doméstica, de cozinheira?Bom, seja qual for o objectivo, ao menos serve para algo ao contrário do texto acima…Já agora pergunto porquê o corrupto ? Mais uma insinuação ou tem provas de algo ? É que se tem apresente-as na procuradoria e seguidamente coloque aqui a denúncia. Ultrapassado esse passo não se esqueça de colocar aqui o resultado dessa denúncia…Não se irritem, a vida é demasiado curta.:)Saudações.ps . aproveito para informar que não jogo futebol, que o meu nome é aquele com que me apresento e que não tenho patrão com orientação política.

  3. Que gentalha… E cada vez têm menos vergonha… Que gentaha rasca… Julgam-se muito chiques e importantes… Gente prepotente que não presta. Dizem andar a representar o país, só estão é a gozar com quem trabalha… Eles sabem é arder o nosso dinheiro… Nem sequer percebem o sacrifício que milhares de portugueses por aí fazem todos os dias… Que nojo de gente…

    1. Percebo que o discurso de dizer mal é simpático, que cola em mentes vazias mas que peca por alternativa.Isto é:Se não se gosta das pessoas, dos programas e por aí fora a única possibilidade é apresentarmos soluções e sufragá-las.Exemplo:Eu não julgo que seja correcto que se paguem deslocações a deputados em circunstância nenhuma. Porquê ? Porque julgo que o ordenado que recebem assim como o orgulho que o exercício daquelas funções representa são condições mais do que suficientes para que ninguém se possa queixar de falta de condições de trabalho.Mas digo-o relativamente a deputados de todas as cores políticas e de qualquer círculo eleitoral!Porque é que penso que há uma diferença na nossa abordagem ?Eu tenho um objectivo e uma abordagem alternativa ao invés de me limitar a dizer que não serve.Mais, afirmo-a e reafirmo-a onde e quando sentir que as circunstâncias o exigem sem ofender ninguém.Saudações!

      1. O seu discurso pode ser muito finório, mas no fundo parece não ter noção do que se está a passar realmente no país! Viver numa caixinha, deve ser bem conveniente.. Há muitas formas de ofender as pessoas, não julgue que lá porque certas pessoas têm uma linguagem de mestre, são algum exemplo de como se tem respeito e consideração pelo próximo.A linguagem que se usa não é o que mais reflecte se uma pessoa é bem educada, são os actos.Se digo mal, não é por uma questão de simpatia, infelizmente… Eu não me estava a meter consigo, mas já percebi que o meu comentário o (a?) afectou…

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