IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SALOIOS NO PODER E NA IMPRENSA

 

De um modo geral, a Europa civilizada (França e Alemanha, por exemplo) prepara-se para uma nova geração de centrais nucleares, certa de que as energias renováveis, à excepção da hídrica, têm ainda um longo caminho a percorrer até que se possa obter delas, a preços sustentáveis e em quantidades úteis, a energia necessária para preencher as necessidades do mundo desenvolvido, de forma a vir a libertá-lo da insegurança estratégica que o petróleo representa. Isto não quer, como é óbvio, dizer que não se desenvolvam e ensaiem, com urgência, fontes energéticas de que o vento e o sol, meninas dos olhos do senhor Pinto de Sousa, são meros exemplos.

As economias emergentes, a Índia e a China, para só falar das maiores, perceberam o problema e estão a entrar muito a sério na produção nuclear, aproveitando as tecnologias que, entretanto, o mundo mais avançado foi desenvolvendo. Até o Irão e a Coreia do Norte, os países mais reaccionários do mundo, tem o seu programa nuclear em curso, e não é certamente a produção de energia o que, nessa matéria, vem preocupando a humanidade.

Parece tudo isto de uma evidência tão óbvia, tão imediata, que se esperaria que, à excepção dos maluquinhos do costume, os governos equacionassem a construção de centrais nucleares. Em Portugal, como sempre à atrasada revelia do razoável, do actual e do evidente, o primeiro-ministro que temos esclareceu, assim que tomou posse pela primeira vez, que “o nuclear não está na agenda do governo”. De acordo com esta inteligente postura, viria o dito a impulsionar, cheio do mais saloio orgulho, as florestas de moinhos de vento e os lagos de painéis que estragam a paisagem e nos esvaziam os bolsos. É sabido que o break even das eólicas e das fotovoltaicas, se alguma vez for atingido, o será à custa de preços de energia incompatíveis com o bolso das pessoas e as necessidades da economia. Mas tal não interessa ao senhor Pinto de Sousa. O que interessa é fazer uns fogachos, dizer à vilanagem que “vamos à frente” que “somos os melhores”, etc. Isto, como é evidente, perante as palminhas condescendentes e o sorriso caridoso da Europa rica: coitadinhos, cada vez se enterram mais, mas, a prazo vão servir-nos de cobaia.

O General Doutor Ramalho Eanes teve o topete de defender o nuclear numa entrevista qualquer, pelo menos em termos de “debate”, que é uma coisa que para pouco serve mas está na moda. O governo, é claro, não ligou meia ao que o Senhor disse.

Mas a porcalhota das ideias está presente em todos os jornais, e com que força! Calcule-se que o suplemento de economia do “Sol” põe o General Doutor Eanes na secção do “frio”, por se ter atrevido a falar no assunto. Diz o semanário que “Portugal é um país livre onde todos podem debater o que quiserem. Mas daí a alinhar nesta tecnologia vai um grande passo atrás. O país está no bom caminho, dando o exemplo ao mundo.”

Aqui temos como, em mentes mais fracas, penetra a estúpida e enganosa propaganda do senhor Pinto de Sousa.

Para conhecimento dos leitores, diga-se que a prosa referida é assinada por um tal Ricardo David Lopes. Um primata da escrita, a evitar a todo o preço.

Com primeiros-ministros tão provincianos como o nosso, com propagandistas tão primários como este Lopes, ainda acabamos por comer moinhos de vento com batatas, se ainda houver batatas, auto-estradas de cabidela, com o nosso sangue, e aeroportos fritos em painéis solares.

Gastar dinheiro para obter electricidade limpa e mais barata, isso nem pensar!

25.10.09

António Borges de Carvalho

 


3 respostas a “SALOIOS NO PODER E NA IMPRENSA”

  1. Não se deve equacionar somente se a electricidade é limpa e mais barata.É preciso ter presente os riscos,e a dependência tecnológica,que porventura levaria a ter energia mais cara.Acho que a questão assume mais peso (não atómico)mas à volta de Pinto de Sousa que não simpatiza com a energia atómica.Pinto de Sousa a razão da existência deste blog!!!

    1. Era tão bom que o Pinto de Sousa se fosse embora! Mais que não fosse para que o Irritado se pudesse dedicar a temas mais interessantes, não é?Como deve calcular, nestas matérias, verdadeiramente nucleares, não sou mais que um observador independente que tem tido acesso a alguns dados e procura ter os olhos abertos. – Os países europeus que, nos últimos 50 anos, tiveram maior progresso industrial, têm, sem excepção, energia nuclear em todos. – Vemos países “ecologistas”, como a Dinamarca, que não têm energia nuclear. Pois não. Compra-a à Suécia.- Depois, olhe, estive uns anos em Paris, onde tinha energia mais barata do que em Lisboa. – Mais. Um meu conhecido que é “industrial eólico”, demonstrou-me que o vento, globalmente, é muito mais caro que o nuclear. Ele dedica-se à coisa porque, já que as prioridades do governo aí encaixam dá dinheiro, dinheiro a sério, dinheiro legítimo. Se, no fim da linha, o mexilhão se lixa, isso, naturalmente, já não é com o meu amigo. Devia ser com o governo, mas não é.E assim, meu caro Tecelão, vamo-nos enterrar até ao pescoço com investimentos de rentabilidade mais que duvidosa, e nem sequer discutimos o que interessa… porque está “fora da agenda” do Pinto de Sousa! Poça que é demais.

  2. Há uns bons anos atrás já Pessoa dizia que éramos um país de provincianos.Bom senso foi coisa que nunca abundou na cabecinha dos portugueses, e hoje mais que nunca vai estando em vias de extinção, sendo a maior prova disto qualquer governo PS que este país teve.

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