Entre o riso e o nojo, olho a página 4 do jornal socialista “Diário de Notícias” de 4 de Julho.
Fotografia a cores, quase meia página, duas senhoras riem agarradas uma à outra. Não se pode concluir se tal riso é alvar por ser de plástico ou por razões mais profundas. As senhoras são anafadas, cinquentonas, oxigenadas e feias.
Não sei porquê, fazem lembrar os dois velhotes do Muppet Show que “partiam a moca” do povo com os seus raciocínios idiotas e que, por cá, eram conhecidos pelo simpático apelido de “marretas”.
Para além de provocar estas injustas reminiscências, as mulheres em causa são, em figura humana, a “moral republicana” do PS, coisa que de moral tem nada e de republicana tem tudo.
A mais conhecida, sobretudo por ter chegado a vias de facto com o seu colega Reino por causa de uma questão de águas (há quem assegure que, para a próxima, é à sacholada) e por ser senhora de instintos policiais e persecutórios mascarados de “ética”, é perita em dislates e asneiradas, acha que o tempo do MRPP ainda não passou e, para se tornar notada, é capaz de um ror de coisas.
Não conheço a outra de parte nenhuma, nem sei se, lá em casa, é coisa que se veja. Dizem que foi ministra mas, se foi, não me lembro de quê nem como
As Marretas foram apanhadas no meio da tempestade que a falta de moral (ou a moral republicana) ditou ao senhor Pinto de Sousa. Completamente esmerdificado (passe o mal cheiroso neologismo) com as investidas da dona Manuela, o homem anda atrás dela que nem um taradinho: atrasa o CAV (dito TGV), recua no aeroporto, acha que já não tem poder para decidir… e, last but not least,proíbe a Sanfona e quejandos de ser candidatos a autarcas e a deputados ao mesmo tempo. Isto, uma semana depois de ter achado lindo que as Marretas fossem candidatas a tudo o que lhes apetecesse.
Vão ver, o fulano vai fazer mais uma data de coisas do género, com medo de esticar o pernil nas legislativas, o que a Pátria anseia e a Justiça impõe.
As prejudicadas pela descriminação de que são vítimas, com a Sanfona à cabeça por não lhe terem pago como deviam o servicinho do “relatório Constâncio”, já se manifestaram abundantemente.
Como é lógico, as Marretas andavam muito caladinhas. Eis senão quando, de tonitruantes alturas, ribomba o Alegre: ou vão para Bruxelas ou ficam na piolheira, ou não são gente não são nada.
E lá foram as Marretas obrigadas a vir a terreiro como os dois velhotes da farsa britânica, dizer que nem pensar. Convenhamos que têm toda a razão. Então, se têm o cadeirão à espera em Bruxelas, se fazem ao partido o frete de se candidatar em concelhos onde o PS vai levar uma tunda, com que direito vem o Alegre dizer que acha muito bem vê-las acabar em vereadoras sem pelouro! Nem pensar!
As Marretas estão ao serviço da Pátria, as Marretas não vão embora de coisa nenhuma. Ouviste, ó Alegre? Que moral tens tu, disseram elas, para nos dar lições? Olha o gajo hem! Queres festa! Vai ao Lux!
Sejamos sérios e solenes.
De um ponto de vista de Estado, ou de interesse nacional, o importante não é que haja quem se candidate ou deixe de se candidatar a um, dois, ou vinte lugares. O importante é ver o senhor Pinto de Sousa completamente esburacado, no estertor da sua patética agonia, a dar pulinhos à esquerda e à direita, saltinhos para baixo e para cima, a pôr ministros na rua por causa de uns dedos – pelo critério das bojardas parlamentares, já devia, ele mesmo, ter ido há anos para casa – a pôr o CAV no frigorífico, a engolir a nacionalização do BPN, etc.
Isto sim (a agonia do Pinto de Sousa) é notícia, e das boas. No estado em que estamos, é mesmo a melhor de todas.
10.7.09
António Borges de Carvalho

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