Na passada quarta-feira, ao abrir a Internet, dou com a manchete do jornal electrónico do Sapo: “Sondagem da Marktest dá vitória ao PSD com 32,9%, ficando o PS pelos 28%”.
A coisa já virou, pensei. No entanto, esta sondagem rapidamente desapareceu do Sapo e não a vi em mais nenhum órgão de “informação”. Bem pelo contrário, avançaram, pressurosas, a Universidade Católica e a Eurosondagem, a propagandear o contrário: o PS tinha descolado do PSD e a sua vitória já estava fora de qualquer margem de erro.
Nas televisões, nos jornais, nas estações de rádio, a Católica e a Eurosondagem tinham as únicas sondagens existentes e credíveis. Os comentadores “independentes” desdobravam-se em doutas considerações. O primeiro-ministro tinha entrado na campanha e, com a sua verve e o seu empenho, virara completamente todas as veleidades de mudança. Tinha suprido a ineficácia do seu primitivo, saloio e petulante candidato.
A sondagem da Marktest nunca tinha existido. Nem sei se a tal Marktest alguma vez existiu ou se fez alguma sondagem. O PS tinha a vitória na mão, o CDS, na melhor das hipóteses, chegaria aos 4%. Era, garantidamente, uma esmagadora vitória do PS e dos seus primos do PC e do BE.
Pois.
Lidas as coisas de outra forma, teremos que os últimos dias da campanha foram dominados pela central de informação do PS, à qual, servilmente, badalhocamente, suinamente, tanto os meios do governo como os privados se submeteram. A generalidade dos comentadores, à esquerda e à direita, sabe-se lá se na esperança de alguma nomeação, adoptaram a mesma postura.
Vivemos atolados na mais repugnante pocilga informativa.
Estes porcos (das sondagem à la carte e da chamada “informação”) foram derrotados.
Mas há mais porcos, que também foram derrotados. Desde a segunda volta das presidenciais de 86 que não assistíamos a tanta trampa como aquela com que o PS e o seu porquíssimo candidato encharcaram a Nação.
Desta vez, a malta não comeu a porcaria que lhe foi impingida. A malta reagiu.
Para que venha a haver alguma réstia de luz ao fundo dos vários túneis em que nos meteram, falta explicar claramente às pessoas o que o BE e o PC, não sendo porcos, têm para lhes oferecer: uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma. Se tal explicação for séria e competente, então, daqui a uns meses, poderemos deixar de ter vergonha de ser governados como se pertencêssemos à récua.
8.6.09
António Borges de Carvalho

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