IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ÁGUA DAS PEDRAS

 

Os estimáveis dirigentes da nobre classe dos professores vieram, indignados, exigir que a correcção de “provas de aferição” e de exame passe a ser paga como horas extraordinárias.

 

Acho muito bem.

 

Permito-me, até, deixar aos ilustres líderes da docência em Portugal algumas modestas sugestões:

 

– Se as classificações de provas são trabalho extraordinário, o que dizer dos pontos? É evidente que classificar pontos dá uma trabalheira do caneco! Horas extraordinárias, como é evidente.

 

– E as aulas? Dada a natureza violenta e a má educação dos alunos, não devia esta actividade ser objecto de um subsídio de risco?

 

– Por outro lado, é inaceitável que as condições de remuneração dos professores não contemplem o stress pós-traumático que os acompanha, quem sabe se para toda a vida, pelo simples facto de ter que dar aulas e de aturar a canalha. Porque não uma indemnização a título mensal e permanente, que, de alguma forma, compense a classe das consequências do seu insano mister?

 

– E aqueles que ficarem com alguma capitis deminutio por causa das emoções que certas atitudes do ministério da educação causam a tantos membros da prestimosa classe? É de exigir para estes casos, pelo menos, estadias de seis meses por ano numa suite de um hotel de cinco estrelas junto a um lago suíço, com alimentação, alojamento, diversões e pocket money por conta do Estado.

 

– Carácter fundamental, incontornável e inultrapassável, tem a ingente questão das aulas em si mesmo. Então admite-se que as pessoas (os professores) sejam obrigadas a dar aulas todas as manhãs ou todas as tardes dos dias úteis? Não pode ser! Tudo o que seja ir às escolas mais que o indispensável para tratar dos seus papéis pessoais, dos seus assuntos sindicais e para assistir às reuniões pedagógicas, deve ser, como é evidente, pago como horas extraordinárias e a triplicar.

 

– Posto ainda que os professores não moram nas escolas onde são coagidos a deslocar-se, é da mais elementar justiça que a todos, de dois em dois anos, seja fornecido um automóvel novo – não é preciso ser de luxo mas, se for, não faz mal – devidamente provido dos créditos necessários para combustível, seguro, garagem, revisões, reparações, pneus, etc.

  

– Finalmente, talvez fosse de exigir, para os fins tidos por convenientes, que as casas dos professores tivessem, por conta do Estado, água das pedras canalizada.

 

Aqui ficam estas sugestões, como contribuição do Irritado para o progresso da classe docente.

A não satisfação de qualquer das reivindicações supra, deveria, como é óbvio, ser objecto de monumentais manifestações de protesto e de greves sucessivas, até à vitória final.

 

Sans rancunne, mas com muita pena que os senhores professores sejam o que são. Têm o governo que merecem.

 

29.5.09

 

Irritado


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