O senhor Mcann (MacCann, McCain, MacCain?) chegou, glorioso, ao Algarve. Para quê?
Rodeado de porta-vozes, assessores, assistentes, realizadores, operadores de câmara, actores, actrizes, secretárias, factota e amigos dos copos, ei-lo produtor de cinema.
A malta lá da aldeia fica fula. Este gajo vem cá dar ainda mais cabo disto do que já deu? E os desempregados que a história já causou?
A malta não tem razão. O bife quer, simplesmente, fazer um filme com a “reconstituição” do desaparecimento da filha, a fim de ajudar à descoberta do seu paradeiro.
Lidas as coisas com outros olhos, é evidente que o que será produzido será uma versão à la manière do que se terá passado, destinada a ser vendida às salas de cinema e a gerar umas massas.
Para além disso, a iniciativa tem a vantagem de trazer de novo o assunto para as primeiras páginas, onde o senhor ganha espaço para dizer que os seus milhões estão a chegar ao fim e que é preciso sacar mais algum para continuar a manter viva a história e para pagar os ordenadinhos que aquela malta toda anda a ganhar à custa do desaparecimento da pobre criancinha.
Não sei, ninguém saberá, a não ser os culpados, o que se terá passado no Ocean Club. Não sei se quem tem razão são os pais da criança se o Dr. Amaral.
O que sei é que, à pala da triste sorte da menina, os pais construiram um pequeno império de fama e de proveito.
O que sei é que não há nada que esclareça como é que o “documentário” do homem pode contribuir para encontrar a menina.
O que sei, e toda a gente sabe, é que, ou aparece algum dado novo, algum deslize do ou dos culpados, ou o assunto está morto. Por cá e por lá.
O que sei é que os papás da criança, por muito que tenham sofrido ou sofram, têm, em relação ao assunto, uma atitude abjecta e humanamente inaceitável.
12.4.09
António Borges de Carvalho

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