IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


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Onde estão os neo-liberais?, pergunta hoje o Presidente Soares, lá do assento etéreo onde subiu, ali, à rua de São Bento.

 

O homem que teve a estupenda ideia de meter o socialismo na gaveta quando percebeu que a coisa o levava a parte nenhuma, o homem que defendeu a constituição de grandes grupos económicos, a quem, aliás, nunca faltou com prestimosa ajuda, acaba de descobrir que “o que está podre, a agonizar, é o capitalismo “.

 

Ontem, ouvi o inefável camarada Octávio Teixeira, grande educador financeiro do PC e do Banco de Portugal, afirmar que “o capitalismo ainda não morreu”, só anda à rasca nesta fase do campeonato.

No período mais “doutrinário” da sua existência, o Presidente Soares ultrapassa o grande educador financeiro do PC no diagnóstico que faz da situação: o capitalismo está podre, e agoniza. Quer dizer, está a morrer, vítima desse novo demónio que se chama “neo-liberalismo”. E ainda bem, pode ler-se nas entrelinhas do Presidente, eventualmente reconvertido ao socialismo puro e duro, reconversão de que a sua súbita paixão por Chávez  já fazia suspeitar.

 

Aqui há tempos, o demónio era a globalização. Os soares, os saramagos e quejandos, burramente, gritavam contra ela, como se fosse possível pará-la.

Depois, quando a globalização começou a dar frutos, quando países até aí miseráveis passaram, por conta dela, a “emergentes”, quando os preços das matérias-primas subiram e houve mais-valias que começaram a beneficiar os famintos, havia que arranjar outra origem para todas as desgraças: era altura de inventar um novo culpado. Desta feita, o “neo-liberalismo” foi o escolhido. O inimigo externo sempre foi o alimento dos que não olham a meios para fazer valer as suas “razões”.

  

As soarais confusões são por demais evidentes.

Dois exemplos:

– O presidente Soares elege as nacionalizações ocorridas na Irlanda como sinal claro da morte do capitalismo. Esquece-se de que a Irlanda, feliz ilha onde a esquerda não medra, foi (ainda é) o maior sucesso económico e social da integração europeia. Um sucesso liberal, ou “neo-liberal”, se se quiser.

– O Presidente Soares acusa “o capitalismo norte-americano, na sua fase financeira-especulativa”, ou seja, nos mandatos Bush, de todos os males. Esquece que quem “inventou" o subprime foi o senhor Clinton, não o senhor Bush. O sistema entrou em crise, não por ser demasiado “especulativo”, mas por ser demasiado “social”, isto é, porque o capitalismo liberal foi, por via política, levado a sair da lógica que lhe é própria.

 

Para o Presidente Soares, a recessão atinge “a França, a Irlanda, a Holanda, talvez a Espanha…”.

Fatal paranóia ideológica. Os países atingidos, na pena esclarecida de Soares, são todos governados à direita.

Para ele, a Espanha, que tem a esquerda no poder desde o ataque de cobardia colectiva lá levou o Sapateiro, e que, por consequência, de há muito se afunda a passos largos, “talvez” seja atingida. Só “talvez”.

Sarkozy, bombo da festa soarista, é um dos principais culpados da desgraça.

E Portugal? Portugal não entra na lista soarista dos atingidos, com certeza por mor da política económica do senhor Pinto de Sousa. Não é dito, mas fica nas entrelinhas.

 

Há que reconhecer que a presente crise dá, aos inimigos do liberalismo (o "neo-liberalismo" não sei o que é) um magnífico mote para as mais violentas críticas e para as mais variadas “análises” filosófico-políticas, das quais a soarista é das mais primitivas e das menos informadas.

 

Mas, neste país de pacóvios, o artigo de Soares vai ficar, por uns dias, a fazer escola.

 

Quando, com Bush, com McCain ou com Obama, os Estados Unidos saírem da fossa, a Europa dos teóricos como Soares, alimentada por preconceitos ideológicos e por solipsismos nacionalistas, talvez descubra, tarde e más horas, a solução para os seus problemas, nunca se esquecendo, como é de timbre, de que a culpa é dos Estados Unidos, do capitalismo e do “neo-liberalismo”.

 

Nunca é demais repetir, àqueles que ainda prezam a Liberdade apesar de intelectualmente torcidos por complexos de esquerda e por baias ideológicas, que nunca houve tal coisa sem capitalismo, embora já tenha havido, e haja, capitalismo (capitalismo socialista!) sem que haja Liberdade.

 

Onde estão os “neo-liberais”?, titulava hoje o Presidente Soares. Posso responder-lhe: “neo”, não sei, mas liberal, aqui tem um. Sabe porquê?

Porque gosto dessa coisa de que, quando lhe faz jeito, o senhor diz que também gosta: a Liberdade.

 

7.10.08

 

António Borges de Carvalho


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