Em mais uma manobra de propaganda, o governo do senhor Pinto de Sousa decidiu atirar maiores responsabilidades para as costas das autarquias, no que ao ensino se refere.
Os municípios, como é de timbre e de boa “gestão”, estão contra. O Estado tem que lhes dar mais isto e mais aquilo, e terá, sobretudo, de dizer em rigor aquilo que quer que os municípios ensinem às criancinhas.
Façam o que lhes apetecer. É indiferente. O que há a reter nesta coisa é que se trata de pura demagogia de parte a parte. Tanto faz, para os papás, para as criancinhas e para todos nós, que o responsável seja o município ou o ministério, se as matérias forem as mesmas, os critérios os mesmos, os exames os mesmos, os sindicatos os mesmos, os professores os mesmos, a ideia de educação a mesma.
Tudo o que verdadeiramente interessa continuará ferozmente centralizado na Avenida 5 de Outubro. A concorrência entre escolas passará a concorrência entre municípios. O que não seria muito mau se não se reportassem todos às mesmas bitolas, ou se tivessem alguma vocação educativa. Mas não é para isso que existem, pois não?
António Borges de Carvalho

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