IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO PALOPISMO RUSSÓFILO

Em amorosa comunhão de ideias e interesses, a dona Não-sei-quantas, “senadora” russa, elogiou ditirambicamente o camarada Nyusi, a quem chamou, por exemplo, “parceiro confiável”. Desvanecido, o tal Nyusi, ilustre presidente de Moçambique (membro de pleno direito dos PALOPS e da CPLP, e não de pleno direito do Comonwealth), declarou que a Rússia estava a proceder de modo a “defender a paz e acabar com a guerra”, como se não fosse a Rússia quem a começou e quem a tornou no mais hediondo, bárbaro e criminoso conflito dos nossos tempos. Aqui temos não só uma demonstração de alta inteligência, como de coerência política em relação aos valores das comunidades em que deixam o seu país integrar-se. Isto, sublinhe-se, depois de na AG da ONU não ter votado a condenação de tal guerra, em vergonhosa minoria.

Pelos vistos, não é só o nosso PC que continua fiel ao “Sol do mundo”, agora na sua versão putínica. Mesmo depois dos mais de quarenta anos de guerra, guerrilha, insegurança, instabilidade e miséria que se seguiram à “descolonização exemplar”, provocados pela implantação do comunismo soviético, Moçambique ainda não percebeu, nem quer perceber. Por isso, não sairá da fossa em que se meteu.

Andam almas correctas e modernas, por uma vez muito bem, a espernear contra a admissão da Guiné Equatorial na CPLP, não porque é de expressão castelhana –o que chegaria – mas porque não respeita os mais elementares critérios em que a organização se baseia. As mesmas almas, porém, acham muito bem que andemos aos beijos e aos abraços aos amigos do Putin.

 Não é caso único. Voltaremos.

 

3.6.22



3 respostas a “DO PALOPISMO RUSSÓFILO”

  1. “…provocados pela implantação do comunismo soviético, Moçambique ainda não percebeu, nem quer perceber. Por isso, não sairá da fossa em que se meteu.”Ai que o Irritado não sabe o que é o polilon, ou sabe e está a atirar areia para os olhos dos distraídos.O Chissano alterou a Constituição marxista para um estado capitalista e Nyusi foi eleito Presidente em eleições gerais. É assim o Moçambique actual.”…depois de na AG da ONU não ter votado a condenação …. em vergonhosa minoria”Então, e os outros países africanos que votaram a condenação? Estarão todos fora da fossa em que andam metidos, por não terem ligações comerciais ou outras com a Rússia? Claro que não, e nunca mais saem do FMI (o fuminhas).Todos desejamos do melhor para Moçambique, mas deixe-se de paternalismos escondidos com os colons de fora.

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    “…o mais hediondo, bárbaro e criminoso conflito dos nossos tempos. Depende: quando começam ‘os nossos tempos’? Se começaram em 2022, tem razão. Mas se formos até ao início deste século, para não ir mais longe, a invasão do Iraque matou… ninguém sabe bem quantos – só mortes americanas interessam e são contadas – mas algures entre meio milhão e um milhão de pessoas. O nº de iraquianos a viver em bairros de lata aumentou de 20% para 50%. Estima-se que haja 4 milhões de orfãos, 600.000 deles a viver na rua. A corrupção, que já não era pequena, disparou para níveis inauditos. A invasão do Afeganistão matou 250.000 pessoas. O país ficou óptimo, como se sabe. Na Ucrânia, até agora, talvez tenham morrido 5.000.

  3. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Sim, sim, estou a desconversar. ‘Whataboutery’, como agora se diz. Claro que a História começa em 2022. No passado pré-histórico, que não interessa para nada e que só canalhas ou malucos evocam, os EUA levaram os anteriores 75 anos, para não ir mais longe, a matar, torturar, roubar e explorar milhões de pessoas em dezenas de países. Note, não estou a dizer que algumas intervenções americanas foram questionáveis; que umas foram melhores e outras piores. Estou a dizer que TODAS elas, TODA a política externa americana é ‘hedionda, bárbara e criminosa’; que o seu primeiro e último objectivo é perpetuar a hegemonia americana e encher mamões americanos; que nenhum outro país ou ditador se aproxima da sua arrogância e hipocrisia; e que são capazes de fazer igual ou pior seja a quem for, se nisso virem vantagem. Mas perdoe a interrupção; voltemos à Ucrânia.

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