IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CUIDADOS HUMANOS

Correram já rios de tinta e de antena sobre o que aconteceu ao desgraçado senhor Rendeiro. Há, no entanto, um pormenor sobre o qual ainda nada ouvi ou li.

O homem, condenado ou não, perseguido ou não, era um cidadão português sob autoridade de autoridades estrangeiras, que, segundo é voz corrente e aceite sem restrições nem desmentidos, estava encarcerado em condições infames, indignas de uma pessoa humana, criminosa ou não.

Nestas circunstâncias, seria comum, curial e normal que as autoridades portuguesas, pelo menos as consulares acreditadas no local, se interessassem pelo assunto. A verdade, porém, é que, das notícias publicadas, nem uma se refere ao nosso cônsul, à nossa embaixada ou, evidentemente, às instâncias judiciais interessadas na sua extradição.

O que acontece é que, agora, não há ninguém para extraditar. Pof!

Ninguém se preocupou sobre o facto de o homam estar “alojado” numa prisão de conhecida e reconhecida má fama, numa cela com oitenta criminosos de delito comum, todos uns em cima dos outros, sem quaisquer facilidades sanitárias ou cuidados médicos. Além disso, é evidente que a “hospitalidade” dos “colegas” em relação a um tipo de gravata não era com certeza invejável.

A nossa justiça borrifou no assunto, se calhar por achar que até era mais prático e poupava trabalho se desse ao condenado alguma providencial solipampa, coisa de que ele acabou por se encarregar sem dar satisfações.

O nosso consulado, se é que existe, que se saiba ignorou o assunto. Quando o homem se queixou de problemas de saúde (ignoradas olimpicamente pelos carcereiros e pelos juízes sul-africanos), assobiou para o ar,  presume-se. Não tinha nada com isso.

O homem era um criminoso condenado. Devia ser extraditado para cumprir sentenças judiciais para as quais já não havia recurso. Disso não há dúvida. Mas nada disso devia  fazer com que deixasse de ser um cidadão com passaporte português, por isso titular de algum interesse meramente humanitário (coisa que está na moda) por parte de quem nos representa no local.

Mais uma vez, as nossas autoridades, tão incompetentes ao deixá-lo fugir, manifestaram a mesma qualidade ao não o assistir quando disso precisava.      

 

16.5.22



2 respostas a “CUIDADOS HUMANOS”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Não entendo este post. Talvez o Irritado possa ajudar. O Rendeiro é que escolheu fugir para lá; antes de ser preso andava por lá no luxo; após ser preso recusou ser extraditado; tudo fez para lá continuar. Que deviam, ou sequer podiam fazer, as autoridades? Aquela prisão é horrível? E quantos além do Rendeiro, incluindo inocentes, têm de suportá-la? Não são pessoas? Aí é a vida, paciência? E quantas vidas miseráveis fora da prisão, enquanto este chulo vivia à grande? Nem a morte dele é certa. Como Jeffrey Epstein, outro filho do capitalismo em roda livre, o suicídio pode ser mera encenação: ou para livrá-lo da sentença, ou – se morreu mesmo – para livrar os seus ricos compinchas de indiscrições. Por trás de cada fortuna um crime, Irritado. Ou muitos crimes. Sabe outro crime? O Mamão Salgado, o Berardo, o Bava, o Mexia, o 44, os Relvas e Varas e Loureiros e Barrosos e Juans Carlos e tantos, tantos outros a passear pelos luxos do mundo, todos sem um entrave, um incómodo… uma bala. Todos se estão a rir. É de nós que riem, Irritado.

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Uma sugestão: não para ler, mas para ouvir. Isto é uma entrevista de um site neozelandês a um economista americano chamado Michael Hudson, que terá +- a idade do Irritado e que dá aulas na Universidade de Missouri–Kansas City. Já trabalhou para a JPMorgan e para Wall Street. https://1of200.nz/podcast/1200-episode-127-a-matter-of-life-and-debt De forma clara e fluente, o senhor explica como a DÍVIDA é o tema mais importante da História; como foi a base do cristianismo; como tomou conta do mundo e se tornou impagável; como serve para escravizar países e povos; como tem de ser apagada. A custo v. até admite leves falhas do capitalismo, sempre na perspectiva de que pode ser reformado. Como o Sr. Hudson explica e como há muito lhe digo, não pode. Não há como reformar este sistema monetário, esta oligarquia baseada em dívida. É preciso deitar isto abaixo. Bancos, bolsas, grandes empresas e fortunas, Putins e Rendeiros, tudo abaixo.

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