O impensável Medina, repentinamente, acordou para o caso Sócrates. Apostado em ganhar a Câmara nas eleições deste ano, resolveu fazer uma declaração de inocência própria e de crítica a outros camaradas pelo lavar de mãos do PS nesta tendencialmente eterna história.
Parabéns. Mas parabéns porquê? Então ele, como todos os outros colaboradores de Sócrates, nunca deu por nada? Nunca lhe veio à ideia, ao menos, desconfiar do seu tão amado chefe? Não foi Medina, ao longo de longos anos, cúmplice do Costa e dos malandrins do partido, ao chutar para a justiça um caso evidentemente (também) político, nessa criminosa atitude de Pilatos praticada colectivamente pelo PS?
Porque esperou tanto para declarar a sua indignação? Guardou a consciência no bolso, a fim de a utilizar quando lhe fosse mais conveniente? Esteve-se nas tintas, como os outros, só “acordando” na hora de pescar votos? Que melhor argumento para os ir buscar à sua direita, senão esta declaração de afastamento da sua augusta pessoa em relação aos desacatos morais do partido?
Numa nobre arrancada de “arrependimento”, eventualmente inspirado pela “moral republicana”, o impoluto Medina decidiu tirar o cavalinho da chuva.
Espero que, para quem tiver dois dedos de testa, o cavalo continue bem molhado, se constipe, apanhe o covide e nem os cuidados intensivos lhe valham.
15.4.21

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