Mea culpa. Às distintas autoridades, sejam elas quais forem, aos magotes de especialistas, aos covidistas de várias espécies e origens, às aterrorizadoras televisões e aos meus concidadãos que, convertidos em polícias, têm por costume querer obrigar-me a andar de máscara nos parques e jardins, a todos peço desculpa. Fui gozar a Páscoa atravessando inúmeros concelhos, centenas de quilómetros ilegais, incívicos, atentatórios do sacrossanto confinamento. Não comprei o “Expresso”, não vi telejornais, nem outros arautos do covide. Fui livre!
E livre de tal forma que nem dei porque o tipo de São Bento, um casca grossa, tinha desatado à guerra com o de Belém. Já sabia que se tinham desentendido, mas ainda estavam em fase minimamaente cavalheiresca. Oficialmente, continuavam amigos. Mas o tipo de São Bento decidiu dar gás às hostilidades, as quais abrem caminho a um novo “equlíbrio”. Sentindo-se só (imagine-se, até o seu principal apoiante, um tal Rio, o traíra!), decidiu dar na cabeça do sócio. Que diabo, ele é o sócio-gerente, o outro só serve para umas bocas.
Alguém me perguntou porquê. Porquê pôr em andamento uma carripana política que pode levar a uma crise? O IRRITADO, no uso legítimo da habitual profundidade das suas análises, vem responder a tal pergunta. Para o homem, bem conhecido pela sua inegável honestidade, nada melhor que uma boa crise política. Opositores de todas as cores, uni-vos, que eu cá estou! À direita, o único que, em caso de crise e de eleições, poderia morder-lhe as canelas, tem, de há muito, as pernas cortadas pelo serrote do Rio; o CDS, moribundo, tende a deixar de existir; o Chega e a IL, são meros raminhos de salsa. À esquerda, o PC pouco conta, o BE anda cheio de problemas, a bater teclas desafinadas. As sondagens garantem-lhe a vitória e, com um jeitinho, o ignaro eleitorado, que não está para assistir à insegurança de outro governo minoritário, é muito capaz de lhe dar a maioria absoluta. Assim, o fulano está de poleiro. Nada melhor que cair, para de novo se erguer, com mais poder.
Em tempos, o seu camarada Sampaio garantiu a maioria do Pinto de Sousa, com brilhantes resultados, como se sabe. Esperou que o PS resolvesse os seus problemas internos, que o PC se arrumasse e, trás!, maioria para o caixote, que outro de mais alto se alevanta.
Agora, as circunstâncias são outras, mas o resultado pode ser o parecido. Daí que o espertalhão comece a preparar o terreno. Para ele, nada melhor que uma boa crise, cuja data deve estar prevista para depois de acabar esta chatice de ser o mais ridículo presidente do Consalho Europeu de que há memória.
A ver vamos se a estratégia funciona. No horizonte, as núvens são cada vez mais negras. Preparem-se. Se ainda forem a tempo, emigrem.
6.4.21

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