Mais um Domingo. Almoço no paredão. Gente a mais. Já devia ter aprendido que, ao Domingo, não se vai almoçar ao paredão.
De qualquer maneira, a errada decisão teve as suas vantagens. Consistiram elas na observação da “segurança” e dos seus agentes.
Entre velhinhos e velhinhas, criancinhas aos pulos, selvagenzitos de skate board, pêssegas suadas com as maminhas aos saltos ao ritmo do fitness, enfim, no meio do povão, duas ou três vezes, da minha mesa do “Escotilha”, vi, imponente e importante, um agente da “autoridade”. Ainda bem, dir-se-á. Só que o dito agente se passeava de peidociclo no meio das pessoas, aos esses, a acelerar quanto podia. Aos que andavam de bicicleta, dizia o homem, do alto do peidociclo, que se fossem embora, que é proibido andar de bicicleta no paredão!
Mas a “segurança” não se fica por aqui. Duas vezes – duas!, passou, a enxotar as pessoas, uma ramona monstra, carregada de polícias de negro fato de combate. Uns seis ou sete, de cu tremido, que andar faz calos. Olhavam o pessoal com a superioridade do costume. O machimbombo subia e descia a rampa a suar dos injectores.
É assim que o senhor Pereira toma conta das nossas pobres almas.
À saída, no parque de estacionamento, um jipe da polícia marítima, devidamente estacionado em local proibido. Mais uma demonstração de segurança, desta vez a dizer aos desgraçados que a Polícia tem uma legitimidade que aos demais não assiste, desta vez uma legitimidade estaciono-marítima.
E muito bem! Muito bem porque é preciso que o pagode ignaro e estúpido perceba como a Polícia lhe é superior! A verdade, para quem insista em não perceber, é que os polícias não podem, não se devem cansar, coitadinhos, a fim de estar fresquinhos para quando for preciso. Não podem, por outro lado, ficar com a sua capacidade de manobra reduzida nos casos em que não têm, coitadinhos, um lugar para estacionar mesmo ao pé do sítio para onde vão: é que, compreensivelmente, seria para eles uma canseira ter de procurar um lugar, como acontece à canalha.
À atenção do Dr. Capucho.
António Borges de Carvalho

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