O notável pensador comunista Miguel Portas expendeu, no SOLcrates, as suas doutas opiniões sobre o problema do Tibete. Disse o que toda a gente sabe: que a China massacra os reclamantes e que os reclamantes são a etnia que quer dominar as artes lá no sítio, contra os chineses e os muçulmanos. Até aqui, tudo bem.
No entanto, às profundezas da alma, ou seja, ao ódio rebuscado que tem a tudo o que cheire a liberdade, vai MP buscar a razão primeira dos acontecimentos. A culpa de tudo é, para ele, da “ocidentalização” da China, isto é, da “liberalização(!) das relações económicas e comerciais posta em prática pelo regime chinês”. É isto o “que se encontra na raiz do protesto social”.
Para compor o ramalhete filosófico, o pensador comunista vai buscar um relatório dos serviços secretos americanos, "datado de 4 de Abril de 1949”(!). Diz o tal relatório, se é que há relatório: “Não é o Tibete que nos interessa, mas sim a atitude que devemos adoptar em face da China”.
Resumindo: a culpa é (a) de haver alguma liberdade económica e (b) dos americanos.
Para os comunistas em geral, qualquer sintoma, por vago e mal feito que seja, de liberdade, económica ou outra, bem como a política externa americana, são os culpados de todos os males, até do visceral pó da maioria budista do Tibete aos chineses e aos muçulmanos.
Que os comunistas em geral e o Bloco de Esquerda em particular são inimigos de toda e qualquer liberdade que se não enquadre nos ditames da cartilha, toda a gente sabe. Mas é bom que, de vez em quando, o confessem.
António Borges de Carvalho

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