Quando a PGR (não a actual, a outra, a que foi saneada pela aliança Costa/Marcelo) resolveu entregar o caso à PJ sem dar satisfações à tropa, devia saber em que alhada se metia. Podia ter posto as duas polícias a trabalhar em conjunto, podia ter chegado a um acordo qualquer que salvasse, à tropa, a honra do convento. Não o fez. Com o aplauso da aliança, ofendeu gravemante o orgulho da corporação. Não avaliou a força do “espírito de corpo” que ainda anima as bélicas hostes. Ignorância? Falta de bom senso? O que seja. Fez asneira. Nas paradas dos quartéis, nas messes, nos clubes militares, grassou uma tempestade de indignação. Tratava-se de um problema militar, um roubo praticado por militares ou ex-militares que punha em causa a competência da organização, a honra da organização. Uma vergonha. Os militares, que têm polícia de investigação própria, eram excluídos das investigações por desastrada intervenção do poder civil. Inaceitável!
A decisão da procuradora pôs em marcha a fúria indignada da corporação, que continuou a investigar. Teve, é certo, o cuidado de alertar autoridades governamentais e gentes de Belém para o que andava a fazer. Estas, ouviram, calaram, parece que não perceberam, trataram de tirar o cavalinho da chuva, armaram-se em ignorantes, defenderam as costas (e o Costa). A recuperação do roubado seria um triunfo político que levaria todos ao altar da fama.
A coisa deu para o torto. Todos se embrulharam, todos desataram a clamar que não sabiam, que ideia, pobres ignorantres apanhados em contra-mão. A recuperação do roubado passou a ser pior crime que o roubo. Rolaram umas cabeças, havendo naturais suspeitas de que outras mereceriam o mesmo destino. Essas, porém, continuam a bom recato, santa ignorância, o que interessa é a campanha eleitoral.
Onde irá isto dar? Estejam descansados que, a dar em alguma coisa, será daqui a vários anos, quando toda a gente já se tiver esquecido do assunto. A aliança continuará em boas mãos, até porque, segundo diz o aclamado primeiro-ministro, “à Justiça o que é da Justiça, à política o que é da política”. Coitado, não tem nada com isso. Assunto encerrado.
27.9.19

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