IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CARTA ABERTA

Excelentíssima Senhora Dona Assumpção Cristas

Excelentíssimo Senhor Rui Rio

Venho, humildemente, aconselhar Vossas Excelências a ler dois artigos publicados no “Expresso” de Sábado, os quais me parece poder ser-lhes úteis. Um, publicado pelo Senhor Henrique Raposo, pessoa que muito admiro excepto quando se põe a contar histórias da sua vida pessoal (Caderno Principal), outro pela Senhora Dona Clara Ferreira Alves, pessoa por cuja pespinetice me irrita (Revista).

Tem sido ramalhete argumentatório dos intelectuais de esquerda acusar o discurso do 10 de Junho de João Miguel Tavares de apontar defeitos sem dizer como emendá-los. Não têm razão, como de costume: não competia ao orador decretar um programa político, só denunciar os limites a que a sociedade está sujeita. Fê-lo com mestria.

Para colmatar as “lacunas” de tal discurso nada melhor que ler os artigos acima referidos, cheiinhos que estão de boas linhas para tal programa, e mostrando o que a direita devia dizer, e fazer, coisas de que Vossas Excelências não fazem a menor ideia. De facto, como demonstram os articulistas, nem um nem outro de vós tem uma só ideia de boa e democrática opinião que seja incompatível com, ou contrária à esquerda. Navegam à vista, na “espuma dos dias” como se diz agora, e não são capazes de assumir os vossos próprios valores e de comunicar as respectivas virtudes ou dizer o que eles implicam de bom, de projectável no futuro, de forma que as pessoas os percebam como tal.

 

A direita está em crise, proclamou o senhor de Belém numa das suas habituais ajudas à esquerda. Não devia tê-lo feito, como unanimemente é reconhecido, mas fazê-lo é da inelutável natureza dos escorpiões.

A direita está, de facto, em crise, não por causa da trambiqueira política da frente de esquerda, está-o porque não tem líderes à altura. Vossa Excelência, Dona Assumpção, não passa da sua infeliz pasmaceira ideológica. Vossa Excelência, Senhor Rio, anda a prègar moral em vez de doutrina que se veja, rodeou-se de pataratas, tem complexos social-democratas que já nada dizem ao eleitorado, não sai da cepa torta, cada cavadela cada minhoca.

Nos artigos que recomendo, sobretudo o da Dona Clara, está tudo, ou quase tudo o que faz falta às vossas ilustres cabecinhas. Não cito tais escritos porque poderia diminuí-los. Vem lá o que é preciso fazer de bom sem ser de esquerda, vem lá quase tudo o que é fundamental para nos tirar da porca miséria em que vogamos, sem horizontes, sem nada que aponte para um futuro desejável ou até aceitável.

Como Vossas Excelências estão ocos de ideias, bem podem, ou ir lá buscá-las, ou pedir a reforma antecipada. É que a direita democrática portuguesa tem, ou devia ter, muito a fazer e a dizer que tenha eco nas pessoas. No fundo, a miséria mental a que Vossas Exclências se reduziram é comparável às desgraças que a esquerda provoca e que os senhores não são capazes de combater.

Vão por mim. Leiam, cultivem-se, comecem a pensar, em vez de se deixar dominar pelo vazio das vossas mentes em crise.    

 

Com os cumprimentos possíveis.

 

IRRITADO

 

17.5.19



3 respostas a “CARTA ABERTA”

  1. Uma carta bem escrita, um muito bom conselho, mas os destinatários, não vão perceber, para gáudio de suas excelências Marcelo/Costa. Infelizmente para a grande maioria do povo português que não tem que os represente, e como a “abstenção” não é partido, e enquanto ou a direita institucional dá uma grande volta, ou estamos tramados mais uns anos

  2. Quanto ao discurso do Tavares, o surpreendente é ainda haver quem ouça discursos do 10 Junho. Se me dessem a escolher, creio que preferia ouvir um álbum inteiro do Marco Paulo. Pelo que li, disse umas leves verdades sobre o esgoto pulhítico. Vendo apenas as reacções, até parece que foi um violento discurso anti-sistema – algo risível, vindo de alguém tão pró-sistema. O Tavares, como o Araújo Pereira, é daqueles contestatários de estimação dos regimes podres. Mantém a ilusão de pluralismo, sem pôr em causa o regime ou os seus donos. É suave e timorato, como os ‘outros anónimos’ gostam. Claro que ainda assim surgiram os inevitáveis guinchos de ‘populismo’, não vá a carneirada levá-lo a sério. É um risco pequeno: daqui a uma semana já mal se lembra. Isto não vai lá com discursos. Muito menos discursos mansos.

  3. E voltamos à crise da direita, a que realmente angustia o Irritado. Se calhar nem é tanto pela direita: é mais pelo êxito da esquerda, ou da pseudo-esquerda xuxa. Os adeptos da bola também não suportam ver os rivais ganhar. Falando sério, que tem a ‘direita democrática portuguesa’ para dizer? Qual a mensagem do PSD e do CDS, qual a diferença para o PS, além dos 40 anos passados a disputar quem mama mais tachos, ou quem vende mais do país a saldo? Qual a grande, a profunda e incomparável diferença do governo da Gerimbosta para o governo anterior? As 35 horas? A aquiescência a alguns sindicatos? O IVA da restauração? Escapou-me algo de relevante? A meu ver, não precisamos desta direita. Nem desta esquerda. Precisamos de varrer esta partidocracia. Precisamos de uma constituição racional, de poder votar decisões, de políticos escrutinados a pente fino. Precisamos de uma democracia.

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