IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VIOLENTAR A JUVENTUDE

Empurradas pela “ciência” do século, uns milhares de meninos e meninas, universalmente elogiados, anunciaram repetir uma greve às aulas, em defesa do planeta. Ou se trata de uma questão de oportunismo – para os que não perdem uma boa oportunidade para fazer gazeta – ou do convencimento, induzido pela propaganda, de que é indispensável sensibilizar o orbe para a magna questão da salvação do terráquio futuro.

Uma espécie que não tem qualquer tipo de influência nos planetários espirros, que não sabe como evitar a chuva ou domesticar o vento, que não é capaz de tamponar um vulcão ou de prever as suas fúrias, que não tem ponta de domínio sobre o comportamento do sol, sobre a altura das marés ou das ondas, acredita que é capaz de evitar que o clima mude, que o planeta aqueça, como já aqueceu e arrefeceu milhares de vezes, sempre olimpicamente ignorando a presença ou não presença da humanidade à superfície.

O imoral pecado de orgulho em vigor no mundo inteiro, o pretensioso e inatingível objectivo de domar elementos indomáveis, tem por perverso efeito transformar a necessidade de preparar a humanidade para um futuro dito mais quente, de tomar medidas em relação à eventual escassez de água, de criar ambientes urbanos mais resistentes às intempéries, de limpar rios e mares, de criar novos alimentos e de todo um leque de medidas preventivas de um futuro incerto, de estudar a ecologia humana e criar novos habitats, de tratar de coisas reais e importantes, não de imaginar-se influente na mudança de determinismos cósmicos de que pouco percebe e não domina.

Por um lado, as meninas e os meninos, ou se deixam instrumentalizar e violentar pela universal aldrabice, ou não gostam de ir às aulas. Por outro, os adultos, armados em parvos, acham muito bem. Contra isto, batatas.

 

8.4.19



7 respostas a “VIOLENTAR A JUVENTUDE”

  1. … e aproveitam as férias pascais para irem fumegar a casa da nossa vizinha

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Parece-me que nisto, como noutras coisas, não há certezas absolutas. Mas continuo sem ver o problema de exagerar – admitamos que é exagero – a questão. Se 1/4 do que dizem for verdade, é séria e irreversível o bastante para ser exagerada. Como assim, violentar? Que perdeu a rapaziada, além de umas aulas? Que terrível mal é que isto lhes faz? São manipulados pela ‘propaganda verde’, é isso? Então e a propaganda das multinacionais que controlam 95% das suas vidas? Isso tudo bem? E o consumismo desenfreado, o desperdício, a obsolescência programada, a poluição que todos aprendemos a ignorar, a desigualdade crescente, a ganância como filosofia única, a ‘rat race’ onde querem enfiá-los desde o berço? Isto é tudo activismo de sofá, ou de feicebuque, passeatas e boas intenções? Seja; mas qual a alternativa? Porque a alternativa que a sua geração e a minha criaram, foi a que nos deixou aqui: encolher os ombros, consumir, poluir, o resto que se lixe.

    1. Filipe Bastos:Você julga-se, como tantos outros o SENHOR DO MUNDO. São as Multinacionais que dão os muitos e alguns bons empregos. Sem elas onde se empregariam as pessoas? e sem aulas, estudo, formação, competências, como iam as pessoas trabalhar para ganhar dinheiro para viver?

      1. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        V. parece algo confuso, Anónimo: quem se julga senhor do mundo, e age como tal, são as multinacionais e outros mamões. Eu sou apenas senhor cá em casa, e mesmo assim raramente. Há quase 50 anos, um economista anglo-alemão chamado Ernst Schumacher publicou o livro “Small Is Beautiful: a Study of Economics as if People Mattered”. Essa forma de pensar, mais sustentável, razoável, racional, foi soterrada pelos excessos reluzentes do capitalismo, fornecidos por mamões , financiados por outros mamões e promovidos pela sua incessante propaganda, que produz deslumbrados como o caro Anónimo. Qualquer empresa acima de mil milhões devia ser parcialmente pública. Idealmente, era partida em várias. A concentração do poder e da riqueza mata o mercado – o famoso mercado endeusado pelos direitistas – e seca tudo à volta. O verdadeiro mercado livre, a verdadeira iniciativa privada, é em pequena a média escala. Haveria mais empregos, mais competências, mais equilíbrio, mais igualdade, melhor repartição de recursos e riqueza. Mas os adeptos direitistas, tal como os esquerdistas, salivam com coisas grandes. O néscio que canta loas às multinacionais não é muito diferente do que evoca com carinho as mega-fábricas soviéticas; ambos têm o mesmo brilho no olhar.

        1. Lembro-me muito bem do livro, que já tem mais de 40 anos. Li com gosto. Mais tarde surgiu o contrário: “Small is stupid”, ou coisa do género. Também li. À data, tinha convicções ecológicas, as mesmas que tenho hoje: só que, hoje, as convicções são outras, mais “científicas” ou “correctas”. Não fui eu quem mudou. Ambos (os livros) têm razão, mas nenhum deles a tem toda. É certo que devem ser combatidos os exageros das mega empresas, como os das pequenas, Sendo os das grandes maiores, os meios devem ser mais eficazes. Mas, se não as houvesse, onde iria parar a ID? E o emprego, como diz o anónimo? O equilíbrio é difícil, as distorções podem ser muitas. Mas o remédio, como em tudo, não é o “ou preto ou branco”.

          1. Não li o “Small is stupid”. Diz a sinopse: “In this book, Wilfred Beckerman sets out to expose the hollowness of the Green’s claim to the moral high ground, and the falsity of their argument that sustainable development is threatened by the exhaustion of so-called ‘finite resources’. He aims to show that, far from there being any conflict between economic growth and the environment, growth is necessary for the solution of genuine environmental problems, particularly those of the Third World.” O livro poderá ter as suas razões, mas esta obsessão com ‘growth’ não é bom sinal. Como alguém disse, crescer por crescer é a ideologia do cancro. A actual mentalidade de crescimento infinito é boa parte do problema. Conheço o autor, tenho de ideia de lhe ter lido algo do tipo “afinal que tem a igualdade de tão bom?”… Note que o Schumacher (tal como Marx) viveu muito tempo em Inglaterra, mas proveio do continente, da Alemanha. Já o Beckerman parece o típico produto de Oxbridge, economista de boas famílias, de bem com mamões e com o class system que ainda domina a boa e velha Albion. Estranho seria se defendesse a igualdade ou a economia local. Médias empresas também fazem ID. Muitas empresas pequenas geram mais empregos do que poucas empresas grandes. As grandes têm a vantagem da escala, mas essa vantagem acaba por desvirtuar o mercado. O que estou a dizer é que não são apenas algumas grandes empresas que são más: todas são inevitavelmente más, pelo mero facto de se tornarem demasiado grandes. E atrás disso vem a ganância, a megalomania, a corrupção, o esmagamento de concorrentes, a compra de governos, etc. – a tal ‘natureza humana’ que os direitistas atiram sempre contra a esquerda, mas que preferem ignorar do seu lado.

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