IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


LIÇÕES DE UM TAXISTA

 

Numa viagem do Príncipe Real ao Campo Pequeno, ouvi isto e muito mais:

 

Trabalho desde os dez anos, ia para o trabalho quando saía da escola;

Nunca tive falta de trabalho;

Quando trabalhamos bem, não há quem nos despeça;

Já me despedi umas vinte vezes (quando arranjava melhor);

Uma vez, o meu patrão faliu. Fui apanhar azeitonas até arranjar outra coisa;

Nunca andei no desemprego;

O esquema agora é o seguinte: quem não gosta de trabalhar, arranja um contrato a prazo, findo o prazo vai-se embora para o desemprego, passa aos biscates, ganha a dois carrinhos, findo o subsídio arranja outro contrato a prazo, volta ao desemprego e aos biscates, e assim sucessivamente;

A malta gosta é de contratos a prazo, ao contrário do que dizem por aí;

Empregos há com fartura, o que não há é quem os queira;

Há um tipo da Câmara que tem duzentos tuktuks;

Há um deputado quem tem sessenta carros na Uber;

A Uber não têm tabela, os preços dependem da procura, podem ser dez ou cem para o mesmo percurso;

A Uber, sem investimento, cobra vinte e cinco por cento de cada corrida.

 

Vendo estas pelo preço que as comprei. Pense cada um o que quiser.

 

23.3.19



5 respostas a “LIÇÕES DE UM TAXISTA”

  1. Sessenta???Posso conhecer esse Ilustre Deputado? Gostaria de aprender a profissão!

  2. Quanto à vida do taxista, estranho seria se dissesse aos passageiros que sempre viveu à conta e tentou trabalhar o menos possível. Nunca conheci um taxista que não fosse o herói das suas histórias. Ainda assim, há um óbvio fundo de verdade no que diz: muita malta quer mamar subsídios, fugir a impostos e responsabilidades, com frequência chular o empregador e chular o Estado. Nem só os patrões são maus. Quanto à Uber, é realmente uma espécie de leilão – um algoritmo bilionário, como o do Google – mas dificilmente o preço da viagem varia tanto como ele diz. É que, pelo menos em Lisboa, há demasiada oferta para subir tanto. Há milhares de pessoas a conduzir para a Uber. Ganham 2.000€ a 4.000€ /mês na época alta, talvez metade na época baixa. Pagam um seguro mais caro, têm todas as despesas do carro etc., mas ainda é melhor que a maioria dos empregos. E depois há alguns chulões, como o tal deputedo, que têm dezenas de carros na Uber. Ou casas para alugar à estranja, via Airbnb e outras plataformas. E depois admiramo-nos de estas plataformas terem leis tão simpáticas.

  3. O Irritado já experimentou a Uber? Funciona lindamente. É simples, prático, melhor que os táxis. E, diga-se em abono, confirma teorias direitistas sobre as maravilhas da concorrência e da avaliação de desempenho. Ganha o cliente, que paga menos e fica mais bem servido. Perdem os taxistas, cada vez mais vistos como luditas de má memória. Só que, claro, há um outro lado. Tal como o seu taxista diz, a Uber mama milhares de milhões sem ter um único carro ou empregar um só motorista. Como todos os mamões, paga os impostos que quer, i.e. nada ou quase nada. Quanto mais motoristas há, menos ganham eles e mais ganha a Uber. Têm de fazer cada vez mais viagens. As avaliações criam pressão adicional. Trabalham 10 ou mais horas por dia, sem contratos ou férias, e têm de andar sempre sorridentes.A Uber, entretanto, investe em carros sem condutor: por muito que mame, sonha mamar mais ainda. Sonha não ter de pagar a ninguém, nem motoristas nem impostos. Sonha mamar tudo. Porque é essa a consequência natural do capitalismo. Não é um acidente; não é sequer um abuso. É todo o seu propósito.

    1. Não sei se reparou que eu achei piada às opiniões do taxista, que espelham uma certa realidade. Não exprimi opinião. Nem sequer a tenho! Em relação aos carros da Uber, devo dizer que nunca senti necessidade de os chamar.

    2. Já agora, uma sugestão. Experimente a app do mytaxi.

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