IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM FARTOTE

Em mais uma das suas habituais tiradas, o chamado primeiro-ministro veio garantir à plebe que não é altura de falar em regionalização. Nem pensar. Só no seu “devido tempo”. A prová-lo, a criatura espraiou-se largamente sobre o assunto, sempre salvaguardando que não se deve falar sobre o assunto. Disse que em 2021 haverá eleições directas para as áreas metropolitanas, mas que o assunto, para já,  está “fora de tempo”. Nem uma palavra, como se nota. Afirmou que  já sabe, ou já determinou, quais serão ou não serão as regiões, mas que nada de tocar no assunto. Falar em regiões só depois das eleições deste ano. O grande fala-barato gasta meia hora a falar de um assunto sobre o qual não quer que se fale. Bonito, não é?

E porquê estes cuidados? Talvez porque o homem e o seu sócio regionalizador, um certo Rio, querem continuar a trabalhar as coisas por trás da cortina com outros regionalistas, “independentes” como o Cravinho, cuja missão será justificar tecnicamente a tramoia.  

Atinge-se o máximo quando o camarada informa que, se se começar a falar muito no assunto, tal conduzirá “inevitavelmente ao insucesso”. Como diria António Oliveira Salazar, o “povo não está preparado”. Em versão Costa, ele sabe que se houvesse agora outro referendo, a regionalização levava mais uma vez com os pés. Por isso há que “preparar o povo”, isto é, ir-lhe lavando o cérebro durante uns tempos.

Por outras palavras, não quer que lhe suceda como ao Cameron, referendo sim, mas com resultado garantido.

Mais uns aninhos, e teremos o Rio presidente da Região Norte, o sonho da vida dele. Então, as coisas funcionarão doutra maneira. Por exemplo, auanto o presidente do município de Lamego tiver um problema com o da Régua, não vai falar com o colega lá do sítio. Que disparate. Vai queixar-se à Capital da da sua Região. O presidente desta aprecia o assunto, consulta o seu executivo, manda o caso para a respectiva Assembleia regional e, depois de debatido, mandará o resultado das deliberações ao colega da Região Norte, que comunicará ao seu governo regional, que consultará o seu parlamento. A questão será agendada, discutida, votada e, a seu tempo, o município de Lamego saberá a “sentença”. Prático, barato, rápido e eficaz, como é de calcular.

Na sombra, sem que se fale disso fora do segredo dos deuses, os “técnicos indepenentes”, contratados pelo Costa com a missão de chegar conclusões obrigatórias pré-estabelecidas, darão o seu irrefutável contributo. Sem contraditório. Papa feita, o povo será devidamente engromilado. Nessa altura, o referendo será canja e haverá umas largas centenas de artistas com novas competências e novos empregos.

Um Fartote.    

 

14.1.19



6 respostas a “UM FARTOTE”

  1. Quanto ao PM Bosta, ao Rio e à regionalização, plenamente de acordo. E por falar em fartote: UNIVERSIDADE CATÓLICA NÃO PAGA IMPOSTOS A Universidade Católica fatura anualmente cerca de 65 milhões de euros, mas usufrui de isenção total de impostos e contribuições – a única universidade privada que goza de tal isenção, revela uma reportagem da TVI. Em causa estão isenções de impostos, contribuições, taxas camarárias e até taxas de Justiça. A isenção deve-se a um artigo de um governo de Cavaco Silva, assinado em 1990 por Roberto Carneiro e Miguel Beleza. A isenção vigora assim há quase 30 anos. Todos os signatários tinham ligação à universidade. ——————— Ah, a Católica: a universidade dos queques, dos betinhos, dos filhos do papá; a escola favorita dos direitistas, dos conservadores, das ‘elites’, do status quo, da gente ‘bem’ de Portugal. A Católica do Cavaco, do Freitas, do Barroso, do Portas, do Rangel, do Gaspar, do Frasquilho… a mui digna, a respeitabilíssima Católica, paga tantos impostos como o meu gato. O meu gato morto. Que fartote, hã, Irritado?

    1. Tanta inveja e imbecilidade… Or isso é que não saímos da cêpa torta…

      1. Eu diria que a cepa torta provém mais da aceitação acrítica, respeitosa e acarneirada, deste status quo podre que a caloteira Católica e o ofendido Anónimo tão bem representam. Não somos assim por acaso: séculos de monarquia, depois 40 anos do paizinho Salazar, depois 40 anos de partidocracia tornaram-nos neste rebanho tão bom de tosquiar. Talvez um dia por cansaço também eu me conforme, me cale e aceite a podridão. Mas esse dia não é hoje.

    2. O que é que isto tem a ver com o post?

      1. A ligação é o fartote. Por vezes os seus posts são tão certeiros que pouco fica por dizer. Daí o «plenamente de acordo». O resto, estes temas avulsos, trouxe-os sempre por várias razões: – interesse em saber a sua opinião – estímulo ao debate – provocação / pirraça – eventual interesse para si ou para os leitores.

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