Raramente terá a dona Marine Le Pen tido tão larga cópia de referências, artigos, editoriais, etc. como os que teve, generosamente oferecidos Portugal pela esquerda e apaniguados, no caso da websummit.
Se tivessem deixado a mulher aparecer por aí, que teria acontecido? Vinha, davam-lhe cinco minutos de palco, dizia umas coisas, e ia-se embora em boa ordem. Se calhar, nem diria nada de especial ou de novo. Os propagandistas do BE fariam barulheira na rua, com cartazes e panfletos contra a concorrência… e iam para casa em boa ordem. Outros sairiam da sala com medo dos ditos da oradora. E tudo acabava num instante.
Mas… era mais que certo que a dona Marine diria mais ou menos o mesmo que o BE anda para aí a rosnar. Fatal! Os “valores” da esquerda radical repetidos por palavras outras? Fatal. A evitar a todo o custo. A denunciar preventivamente. O resultado foi o de uma chusma de opiniões, protestos, indignações, a liberdade de expressão e de circulação no caixote. A fulana não podia vir! Não veio. Ganharam.
Mas ela também ganhou. Durante uns quinze dias, dona Marine foi a coqueluche do nacional-pensamento. Houve quem fosse buscar o Voltaire, o Popper, o diabo a quatro, para justificar a intoletrância para com os intolerantes. A tolerância no lixo, como é timbre da nova esquerda. Mário Soares deve dar urros na tumba.
Dona Marine foi estraçalhada por uma turba-multa ao serviço do BE. Mas acabou por lucrar com a história. Não lhe faltou propaganda, multiplicaram-se as pessoas que perceberam as “diferenças” entre ela e a Catarina. E houve até quem percebesse o que é a tolerância e o que é o seu contrário. O tiro deve ter saído pela culatra. Ainda bem.
20.8.18

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